Em tempo de línguas afiadas nas mídias digitais: O brio (capenga) da pessoa Y
José Evaristo S. Netto
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Antes de evaporar

O maior problema do Y é também a incapacidade ao apego . Somos líquidos, diria Bauman.

O apego faz surgir o brio . E ele vem de estruturas ao mínimo maleáveis. Nunca líquidas. O apego faz surgir a afeição e o amor. Luta-se para preservar o que se ama.

Talvez por isso sejamos fascinados pelo Pequeno Príncipe. Ele não sabe direito o que é apego. Quando descobre o mesmo foge. Somente quando o entende, ele luta para retoma-lo. O pequeno príncipe trata principalmente do descobrimento do outro.

Somos individualistas também. Isso dificulta o apego. O coletivo não existe por que temos dificuldade em colocar o outro em primeiro lugar .

O apego também pede empatia.

E em nossa ânsia individualista não sabemos ao certo como nos colocar no lugar de um outro e vê-lo enquanto nosso semelhante. Por isso o exercício da crítica é tão fácil

Por que talvez o outro não mereça nosso reconhecimento, ja que não o reconhecemos enquanto outro de mesma importância que nós no mundo.

E isso é cruel. Somos uma geração cruel.

Talvez por isso mesmo que nos comportemos de maneira torpe e entendamos de maneira torpe as coletividades, torcendo-as de modo a só pensarmos que alguém que não tenha os gostos de nosso grupo seja algo a ser destroçado.

Tornamos apenas nosso ódio coletivo.

É só ver que mesmo defensores de causas legítimas atualmente só conseguem se expressar através do ódio.

Principalmente na Internet. Onde parece que falamos com idéias vagas de pessoas. A Internet era purista . Apenas pessoas incorpóreas e textos. Idéia sem carne e sem sentimentos.

Para muitos é difícil dar corpo às pessoas do outro lado da tela.

Estamos ficando líquidos e logo iremos evaporar. Para dentro dos bits da rede, para longe de nossa humanidade e para o ápice de nossa pós modernidade.