Narrativas negras: A JAZZ

ALAYÉ DUDU
Nov 6 · 4 min read

Jazline Cunha da Silva, conhecida pelo nome artístico A JAZZ, direto de Osasco-SP, para o mundo.

Como diz o ditado popular: olhei bem para ela e gritei ARTISTA! A Jazz é mulher negra que, como muitas outras, trilha o caminho em direção a independência, através das várias artes que produz.

Quando dizemos independência, não é apenas financeira, é sobre saber fazer para si, o que consome. Para entender melhor a respeito, da uma olhada no que ela nos contou:


Aniké: Pelo que você é conhecida?

Jazz: Pela música, minha loja de laces e pela fotografia (eu acho).

Aniké: Você é uma pessoa “mil corres”, onde você planeja chegar?

Jazz: No fundo no fundo, eu odeio estar na correria. Minha meta é a paz, não ter que me preocupar com nada, só colher o que estou plantando.

Aniké: E se tivesse que escolher apenas um para seguir?

Jazz: Música com certeza.

Aniké: Para criar música, lace, ter um olhar fotográfico, precisa de muita criatividade ou inspiração. Como é o seu processo criativo?

Jazz: Ah, é bem tranquilo, nunca tive muito bloqueio criativo. Às vezes pra escrever um som bate uma crise, mas só quando tenho que escrever em um prazo ou algo do tipo, fora isso é tudo bem orgânico.

Aniké: Em algum momento você se sente cansada? De onde vem tanta força para tantos corres?

Jazz: Eu sou toda cansada. Minhas amigas falam que fui montada quando nasci com peças usadas kkkkk. Eu tento me impor limites, hoje eu vivo dedicando 99% do tempo aos corres e ao descanso. Já não saio tanto pra curtir, ajudando com que eu consiga fazer as coisas acontecerem, porque automaticamente no meu trabalho eu já curto, então fica mais tranquilo de lidar!

Aniké: Qual foi teu primeiro contato com a arte?

Jazz: Com certeza música, minha irmã adorava fazer performaces, dançar e tal, ai eu entrei na bala e fazia junto kkkkk. Depois eu comecei a ter meus gostos e fazer minhas roupas, montar figurino, mas assim… com uns 6/7 anos.

Aniké: Em seu perfil você posta vídeos dançando e passa ideia de que tem uma relação muito boa com seu corpo, autoestima bem elevada. Sempre foi assim?

Jazz: Olha eu cresci uma pessoa obesa, a qual a sociedade não aceitava, mas eu me aceitei sempre sabe? O que começou a me incomodar, foi minha saúde (falta de ar) e não ter roupa para mim nas lojas. Então eu decidi emagrecer, mas problema todo mundo tem kkkkkk, hoje estou 20kg mais gorda do que ano passado, e ta tudo bem também. Meus videos realmente são uma terapia pra mim, eu olho e me enxergo mais bonita e é mais legal ainda, ver que meu público são mulheres, que se encorajam ao me ver.

Aniké: Como você se vê em 10 anos? E em 20?

Jazz: Na minha ilha, quero ter uma ilha e viver la (risos).

Aniké: O que você aprendeu sozinha nessa caminhada que gostaria que tivesse te contado?

Jazz: Eu sou criadora do meu próprio destino, eu escolhi sair da depressão, ser melhor com as pessoas (sigo no processo), correr atrás do que eu acredito, e eu sei que lá na frente eu vou olhar pra cá e falar: “Eu criei o meu destino” e ver que, o que eu acreditei era real!

Aniké: Qual o preço da sua independência? (independência no sentido de você aprender sozinha e reproduzir)

Jazz: As coisas acontecem com mais dificuldade, menos qualidade, menos reconhecimento, falta de grana, pressão familiar de que tenho que arrumar um emprego de verdade, porque, apesar deles apoiarem o corre, a gente não pode passar fome né! Mas a recompensa é a paz, independente do caos, eu to fazendo o que amo, isso me completa e me trás paz!

Aniké: O que você gostaria que fosse diferente?

Jazz: O reconhecimento das mulheres em geral nos corres, ninguém nunca da devida atenção e apoio quando se trata de uma mulher, isso deveria ser diferente, pois somos fod@s.

Aniké: Do que você não quer se esquecer ou tem medo de esquecer?

Jazz: Da minha essência, da humildade. Confesso que às vezes o dinheiro nos cega e eu não quero ser essa pessoa, quero continuar A Jazz que abraça as árvores e chora com a natureza.

ALAYÉ DUDU

Written by

Do yorubá, narrativas negras. Entrevistas por Aniké Pellegrini

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