2017

Obrigada dois mil e dezessete pelos incontáveis tapas na cara. Sabemos que não sou uma pessoa muito fácil de aprender com palavras por isso teve que ser com tapas mesmo, e eu compreendo. Fui caindo de abismo em abismo com a tosca vontade de procurar o que me faltava. Obviamente todos sabiam que essa busca não ia prosperar, até eu sabia (infelizmente). Exitei mas continuei nos abismos. Fui descendo com cautela pois tinha receio de tropeçar em uma pedra e me machucar. E apesar de todo o cuidado, não pude evitar que isso acontecesse, e aconteceu várias vezes. Machuquei o pulso esquerdo, o pescoço, e o joelho. Estava pronta a desistir dessa busca incessante e cansativa quando de repente surgiu aquele fiozinho de esperança. Continuei, e a mente e o resto do corpo pifou por quase completamente. Descer abismos não é uma tarefa para quem é sedentário, e foi só depois de passar duas horas recebendo oxigênio que eu pude perceber. Entendi que quem não deveria passar por aquela pedra era eu. Ela já estava a sei lá quanto tempo naquele abismo. Cravada no chão. Eu não teria força e nem capacidade para tira-la dali. Vez outra eu volto naquele local e fico admirando o abismo e a pedra, e ao mesmo tempo que me bate uma angústia por não ter conseguindo chegar no fim daquele abismo, percebo que as minhas dores diminuíram, e aparece um leve sorriso no meu rosto. Não posso mudar o curso das coisas.

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