|A vida quis assim.

Querido, Sam.

Certo dia você me devolveu todos os quadros que fiz para você. Magoou. Demorei alguns dias até que pudesse decidir o que fazer com aquela pilha de ilustrações emolduradas.

Queimei.

Se não foi relevante para você, sequer seria para alguém como eu.

Consciente da situação, apaguei as conversas, teu contato. Até que parei nas poucas fotos que tínhamos, e escolhi justamente essa, que foi tirada em um dos momentos mais importantes da minha vida. Minha terceira exposição na UFPB.

Na foto, dois sorrisos largos. Você olhando para a máquina fotográfica e eu encantada olhando para o teu lindo sorrido. E como disse antes, foi um dos melhores momentos da minha vida. Fico feliz por tê-lo compartilhado com você.

Foi bem complicado pensar sobre como será a minha vida, após tudo isso. Mas até aqui está tudo normal.

Terminei os três artigos sobre Modigliani, realarguei a orelha esquerda e aprendi a beber. Mas em relação ao meu olfato, teu cheiro foi o único que consegui guardar até agora.

Te escrevo, pois preferi guardar as coisas boas do nosso relacionamento. O que preferistes, eu não sei. De qualquer forma, não troquei de curso. Muito menos de endereço.

Desejo que sejas feliz, e que um dia nos encontremos para estudarmos ao som de Johann Strauss.

Atenciosamente,

Alguém que você conheceu.