O verdadeiro legado Olímpico

Que lição a Rio 2016 deixará para o mundo?

Como alguém que está inserido no contexto esportivo, as Olimpíadas para mim, são sempre um momento de alegria. Ver grandes atletas rompendo as barreiras do limite humano é um fenômeno e tanto. Em outra situação eu estaria bastante animado, contando nos dedos os dias para assistir os esportes que mais admiro.

Só que no Brasil as coisas não são tão simples assim. Aceitamos hospedar os jogos Olímpicos sem termos condições para isso. Não apenas estamos passando por um período de tensão e instabilidade política, como estamos nos recuperando de um enorme rombo causado pela recente copa do mundo.

A expectativa gerada pelos jogos — assim como na copa — é de que todo custo será um investimento, deixando um legado em infraestrutura e fomento em esporte e turismo. Infelizmente essa ideia não vem se provando verdadeira. A copa de 2014 deixou suas marcas, e mesmo não sendo o elemento que causou nossa crise econômica, este prejuízo bilionário teve sua clara influência.

Para a Rio 2016 já podemos esperar a fatura. Historicamente, desde a segunda guerra mundial, apenas a Olimpíada de Los Angeles, em 1984, gerou algum lucro para a cidade-sede. Os ganhos com incentivo ao esporte também parecem ser improcedentes. Ao exemplo da Londres 2012, o número de pessoas que praticam esporte na Inglaterra é menor agora do que antes das Olimpíadas.

Ao longo das últimas semanas as previsões mais pessimistas foram se tornando realidade. Tivemos aviões caça se chocando, helicóptero da Polícia Rodoviária Federal caindo e inúmeros problemas de infraestrutura na Vila Olímpica. Mas como não poderia faltar, também tivemos roubo de equipamentos, incêndio, e uma série de acontecimentos protagonizando a equipe australiana que chega a parecer piada.

Só que em meio ao caos, tem muita gente se incomodando com as críticas aos Jogos Olímpicos, e os pedidos para deixarmos as reclamações de lado seguem se multiplicando.

A ideia de que estamos realmente reclamando da organização da Rio 2016 é uma míope simplificação do que realmente estamos tentando dizer ao mundo.

Quando compartilhamos notícias sobre a infraestrutura precária, os assaltos aos jornalistas e atletas estrangeiros e todos os problemas encontrados até agora, não estamos apontando “viu, eu avisei”, estamos apenas dizendo que é assim que vivemos todos os dias.

Isso é o Brasil.

As reclamações dirigidas às Olimpíadas do Brasil não estão dizendo que elas em si são ruins — mesmo que sejam, estão apenas tentando mostrar que as dificuldades que nossos convidados estão encontrando, são uma confirmação daquilo que já estamos anestesiados demais para dizer normalmente:

Que a infraestrutura pública é precária, que tudo funciona pela metade, que as estruturas são feitas para durar apenas até a próxima eleição, porque ai já serão problema de outra pessoa. Que somos o país do trabalho pela metade, do meia-boca, do em cima da hora, do — tão exaltado — jeitinho pra tudo.

Apesar de toda maquiagem, o carioca continua andando de trem lotado, longe do BRT, do Metro e de todas as melhorias, vivendo uma versão extrema dos problemas encontrados até agora na infraestrutura Olímpica.

A sociedade, aqueles que deveriam ser beneficiados pelo evento, permanece escondida bem longe da festa.

Já que o prejuízo é inevitável e só assim os alguns problemas do país estejam ganhando algum tipo de exposição, o único benefício que podemos tirar das Olimpíadas talvez seja o questionamento: como os brasileiros conseguem viver desse jeito?

Obrigado pela leitura!

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