“Você faz business plan?”

Um consultor empresarial, especialmente se ele atua junto a empreendedores de novos negócios, ouvirá muitas vezes por ano essa pergunta — isso tem ocorrido comigo frequentemente, assim mesmo, em inglês. E minha resposta tem sido, invariavelmente, um sonoro NÃO!, em bom português.

“E por que não?”, me dizem com espanto. Bem, a resposta a esta pergunta já não é tão simples e direta. E eu tenho pensado muito para dá-la de modo a manter meu compromisso como helper de empreendedores, mesmo negando-me a fazer o que demandam de mim.

A primeira parte da resposta consiste em explicar que um plano de negócio é o documento que compila as conclusões de um processo longo e difícil chamado planejamento de negócio.

E quem é que planeja um negócio? O empreendedor, ora… Ele pode trabalhar sozinho nas madrugadas, ele pode contar com um ou mais sócios, ele pode contratar consultorias e assessorias para ajudá-lo em cada um dos aspectos do extenuante trabalho de projetar o negócio que se propõe empreender (inclusive um redator para o documento final, o tal business plan). Mas ele não pode delegar o planejamento de seu negócio para mais ninguém.

O problema é que nunca, nem uma única vez que fosse, eu fui procurado com aquela pergunta lá em cima feita por alguém que estivesse laborando no planejamento de seu negócio… Todas as vezes, a pessoa tinha uma ideia mais ou menos elaborada de um produto ou de um serviço e imaginava que podia delegar a criação do negócio a um consultor. Ou pior, que podia pagar uma certa porção em dinheiro e receber 200 páginas de um documento que tornaria seu negócio apenas suficientemente real para interessar a um investidor que derramaria milhares ou milhões de reais em sua conta bancária, de modo a viabilizar o início de um negócio de cujas variáveis ela tinha muito pouco domínio.

A segunda parte da resposta é que, sim, eu posso ajudar (eu sou um helper, ok?). Posso ajudá-lo a considerar cada uma das variáveis com as quais terá de lidar; a equacionar cada um dos desafios com que ele deparará na criação e desenvolvimento de seu negócio; a modelar o negócio, para verificar a consistência de suas presunções iniciais a respeito de clientes, da estrutura de custos necessária para criar e entregar valor, dos fluxos de receita que resultem das trocas de valor propostas; a perceber oportunidades e prever ameaças, a considerar suas forças e suas fraquezas — e a tomar decisões ponderadas a respeito de cada uma.

Eu posso até ajudá-lo, durante o processo de planejamento, a encontrar todas as pessoas com competências específicas e úteis para ajudá-lo, incluindo, ao final, aquela pessoa maravilhosa que, com uma redação memorável e uma linguagem cativante, escreverá o seu business plan, aquela outra que o ilustrará com desenhos, infográficos e fotografias e aquela que construirá as formidáveis planilhas e gráficos com as projeções financeiras consistentes e convincentes que tornarão seu negócio atraente para investidores profissionais.

Mas, não, eu não faço business plan!