XXI

alberto de lima
Oct 13 · 1 min read
ilustração de Violeta Lópiz

eram riachos e arabescos serpenteando nos dias
me visitavam flores atávicas para lá das constelações
e diziam, noturnas, os deslizes destecidos

o mar crescia algum tipo
de angústia no oeste do peito

as palavras inelutáveis se desfarelam profusas
enxergo as sílabas se despedindo:
do conforto de algum cosmo estirado na placenta
é porque me deserto e a maré é uma criatura de segredos
o oceano não é nada mais que uma estampa
incrustada neste corpo viril, invadida neste enigma ilúcido

:: o interstício das águas sereias só são plumas

tratará de uns poucos fios ligados aos ventos
esta língua labiríntica que procura amena
o sabor dos tambores em ruelas estreitas

um sorriso é só
embriagamento
e mais nada

tem isto de transcendente nesta terra:
bananeiras, coqueiragens
miragens de outrora e indígenas
que destecem a certeza da vida
e confirmam que estes passos não são desvendados
porém amigos, íntimos, reencontrados

alberto de lima

Written by

eis o pandemônio duma mente devorando prudências.

Welcome to a place where words matter. On Medium, smart voices and original ideas take center stage - with no ads in sight. Watch
Follow all the topics you care about, and we’ll deliver the best stories for you to your homepage and inbox. Explore
Get unlimited access to the best stories on Medium — and support writers while you’re at it. Just $5/month. Upgrade