Regras e Rótulos
O que não sigo e o que não sou.
Amadureci muito desde minha última queda. E venho amadurecendo sempre e tão especulativamente que nem sei se sou eu.
Talvez meus pensamentos contribuíram para o tanto que hoje me contém. Sou dedicado à eles: meus pensamentos. Penso, penso e penso. Penso tão efetivamente que se eu não pensasse, não seria nada do que sou.
Por tantas maneiras de me descobrir, o que me convém são minhas imaginações e minha forma peculiar de ver tantas e tantas coisas. E talvez por isso, eu, desde um pouco tempo (um tempo certamente bom) venho despejando regras e rótulos.
Por que fazer tudo de uma maneira que se é incerto para você mesmo? Não há necessidade na cabeça de quem pensa demasiadamente de fazer tudo por uma certa ordem. Há o descontraído. O diferente do habitual e o querer de ser próprio. De ser.
Talvez por isso e por outras quinquagésimas causas eu amadureci tão rapidamente quanto meu próprio corpo. Sou desprovido de regras. Desprovido de rótulos. Não nasci fabricado. Nasci da força de um ser. Num todo. Na forma peculiar do que se é dito e do que se é fato.
Quando se é, decerto, não há espaços para o “não querer” e o “eu não posso ser”. Apenas se é. Da forma mais completa que possamos ser. E por mais que passamos, mesmo sem querer, de um punhado de pensamentos sobre nós mesmos para um acervo de pensamentos, o que se abrange é o que nos tornaremos. O que seremos. E “não querer” não está incluído dentro da nossa concepção. Muito menos “eu não posso ser”. O que se é simplesmente é o que se é. Sem colocar (não se coloca, se abrange) e nem tirar.
Talvez por isso eu tenha me tornado um ser sem regras e sem rótulos. O que abrangi foi necessário para o entendimento disso. Apenas sou.