Por que precisamos de tudo isso? Para que?

Alberto`Lui
Nov 4 · 3 min read

Sim, a uma aparente necessidade de acreditar que este mundo seja intimamente ordenado. Somos aqui herdeiros de uma longa tradição que sustentava um mundo onde a tudo necessariamente partia de um proposito especifico à um fim ordenado. Então não é de se espantar no fim das contas que: precisamos acreditar numa ordem vigente, num sistema que unifique os indivíduos. É inimaginável a crueza de um mundo sem proposito, de um universo independe da nossa necessidade de leis e cordas. No fim é indispensável para nós o despertador da segunda, o relatório da terça, a fila do metro na quarta, queremos acreditar que a mecanização das funções é a forma mais própria de encarnar uma sensação de propósito. É insustentável essa tal falta de proposito, eleição e ordenança! Gostamos das vozes que dizem vá para esquerda, siga em frente, por aí não, pare, certo, errado e dispensável.

E todo esse maquinário engendrado de conceitos e imperativos, geriram por milênios de submissão e uma profunda crença num proposito final do mundo, um proposito finalista que se traiu no momento que nasceu pela própria natureza do cosmos. Do conflito nasce a crise, uma crise que nos levou a uma cisão única na história da humanidade. Percebemos em escala global depois de duas guerras mundiais que o sistema era falho, pelo simples fato que para sustentar a ordem o homem esmagava qualquer coisa que estivesse em seu caminho. O mundo que se apresentou para os filhos como um projeto de uma ordem e providencia se revelou no espetáculo fenestro das guerras um titã voraz que dizimava e estraçalhava aquilo que para ele não era conveniente.

O mundo metafisico desmoronou… Com se com uma gigantescas quimera de carne e aço despencou dos céus, ruiu num estrondo expondo os corpos dilacerados por milênios de repressão e controle do fantasma da ordenança.

E o que sobrou dos escombros do velho mundo?
Sem deus, sem proposito, sem comando o que seria da humanidade?
Na falência crítica dos sistema políticos que flertavam com as utopias o que restou?

Restou ao homem recomeçar, restou aos governos se erguer.
do caos fizeram o que sabiam fazer, desenvolveram novas vestes para os velhos deuses.
gestaram novas ordens, costuraram a carne da quimera com novas palavras e então nascia
O sucesso, o empreendedorismo, a felicidade , o sonho americano! Simples subterfúgios para sustentar a pirâmide de um velho mundo que precisava pela necessidade consensual de sua maioria de um caminho para seguir. E mais uma vez foram traídos.

E, agora está você do outro lado dessa tela, pensando num próximo feriado por que detesta seu trabalho. Mas então por que não abre mão do que não te faz feliz? Simples a quimera da ordem não permite. Por mais absurdo que seja a condição de vida nós continuamos, nós seguimos o tic tac do relógio, encaramos o silencio de um universo indiferente a nós, pois nosso umbigo não está em orbita com o universo, nós que somos parte da orbita dele.

– Não há proposito, não há destino, não há missão divina alguma.
– O que há?
– Há a vida!
– Assim só isso?
– Sim só, á vida e na vida: o desejo, o amor, a liberdade, a natureza, o outro, a igualdade do particípio da mesma natureza: a morte.

Na falta de sentido para a vida, procurei um significado para a morte.

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