É preciso falar de “Justiça”

Não vejo ninguém comentando em meio a tantos outros assuntos de política e das habituais fofocas absolutamente irrelevantes aqui ou ali. Então eu vou falar daquela série “Justiça” que tem é bem verdade seus bons atores, direção interessante, trilha sonora encaixada apropriadamente e na contramão disso tudo um roteiro que beira a Novela Mexicana

alguns vão assinalar, e não é a vida uma comédia que seria o sinônimo para “Novela Mexicana” para tanto nada mais realista

Bem existe uma expressão comum nos países que falam inglês para se referir a saltos de duplo twist carpado no roteiro desses que fariam Daiane dos Santos se surpreender, eles dizem Pulou o Tubarão. Ontem foi exibido mais um capitulo da historia de uma mãe que teve a filha assassinada pelo noivo na sua frente e passou uns sete anos pensando em como o mataria uma vez que o sistema penal brasileiro é repleto de falhas, no entanto subitamente é surpreendida ao descobrir que este após o tempo de detenção se tornou pai de uma menina

sim mesmo na prisão onde estaria tecnicamente “longe da sociedade” o noivo teve a oportunidade de constituir família graças imagino a tal da “visita intima” pense se alguém tem a pessoa que ama assassinada terá a mesma regalia, não, até por que é tecnicamente impossível.

Então após essa descoberta a mãe começa a se aproximar do ex-genro/assassino da filha ao ponto de aceitar orientar o seu trabalho de graduação na faculdade e em contra partida tem a revelação de que a filha realizou um aborto e isso é acompanhado de memorias em que vemos a filha assumir que mentiu e não se graduou no ensino médio. Vindo a usar os recursos que a mãe enviava para ele estudar em noitadas e motéis.

Mas o roteiro não satisfeito com tudo isso nos brinda com a cena derradeira exibida ontem, onde a mãe e o algoz movidos por uma atração, que devo mencionar é estranha até para a propiá personagem que comenta — eu estou ficando louca! — se beijam ao som de uma música de MPB. Eu estava assistindo acompanhado de minha irmã e pouco antes desse cliffhanger comentei de forma despreocupada, fazendo uma graça — Agora ou ele mata ela ou os dois transam — para a minha imensa surpresa eu meio que consegui prever o exato caminho do roteiro.

Eu entendo que o objetivo do programa é quebrar paradigmas, mas certas situações beiram tão somente ao absurdo para não dizer propriamente que são um insulto para com as famílias de pessoas assassinadas. Se a personagem interpretada pela Marina Ruy Barbosa era uma pessoa com pouca índole capaz de ludibriar a própria mãe e se esta sabendo ser proprietária de seu próprio corpo escolheu abortar isso não constrói justificativas para o seu fatídico destino ou torna a atitude do noivo menos repreensiva. Afinal este após seu período de detenção teve a sua segunda chance enquanto ela na realidade da série que tenciona ser o espelho da nossa não tem como retornar.