Cachorro x Catioro.

Sou da geração que chamava o popular Canis Familiaris de cachorro. Hoje me vejo forçado a conviver com os Catioros e com uma fauna diversa de expressões, memes, gírias, gracejos e toda sorte de maneirismos linguísticos. Essa briga de cachorros(ou catioros) entre as gerações é natural, inevitável e um dia chega para todo mundo. O tempo é soberano e atinge a tudo e todos.

Me esforço bastante para não entrar no mindset “tiozão” e para isso, aceito e afago, até mesmo adoto os catioros que a vida me oferece nas timelines e fora delas, tudo num esforço nobre de manter a sintonia com o momento. Faço a piada do “Pavê ou Pacomê” somente em ambientes controlados, onde tenho certeza que ela será compreendida, já que é um dos poucos trocadilhos que eu defendo.

O fato é que não importa o quanto o cachorro seja feroz, não importa a raça, a alimentação, o adestramento ou o treinamento: o catioro sempre vencerá a disputa. Ele já venceu. É tentador criticar as gerações mais novas, os mais jovens, mais inexperientes e aparentemente, mais frágeis. Mas fazer isso é apenas soar como um rosnar de cachorro velho e rabugento, aquele que corre atrás de todos os carros.

O tempo é mais forte e aterrorizante que todos, cachorros ou catioros. E no final, ele sempre mostra os dentes. Nos resta colocar o rabo entre as pernas e aceitar a nossa fragilidade humana, ou canina.

A parte boa é que, com o tempo, as pulgas já não incomodam tanto assim.

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