Quase todo mundo escolhe a pílula azul.

Cena do Matrix, quando Morpheus oferece as pílulas ao suposto escolhido NEO.

A cena é uma das mais emblemáticas. Matrix(o primeiro, vamos esquecer os demais) para mim é um dos grandes filmes da história do cinema. Nesse momento NEO tem a opção de enxergar a sórdida realidade ou continuar vivendo na ilusão confortável, um simulacro de realidade, uma ficção implantada em sua cabeça.

Como todo herói que se preze, ele escolhe o caminho mais difícil e se torna o líder de uma rebelião e por aí vai a história que eu, sinceramente espero que você conheça. Voltando às pílulas, logicamente nem todo mundo é como o NEO.

Quase todo mundo escolhe o torpor, o conforto, o que parece seguro, quase todo mundo toma a pílula azul.

Mas o preço a ser pago é alto. Não querer enxergar as verdades desconfortáveis tende a se tornar uma pedra no sapato gigantesca, algo muito mais forte que o vilão do primeiro filme: o Agente Smith. Sabendo disso tudo, um dia desses me deparei com um vídeo que simplesmente me DESTRUIU.

Tá aqui ele.

O Danado fala de conceito de Hipernormalização. Ele significa basicamente você estar tão dentro de alguma coisa, que você não enxerga mais nada além daquilo. Não enxerga o mundo lá fora, nem ao lado, muitas vezes não enxerga nem o próprio nariz. Esse vídeo patrolou grande parte das convicções que já tive. E todas as palestras dos TEDs que eu já vi.

Porque esse danado desse vídeo aponta numa direção tão óbvia, tão clichê, que ninguém consegue ser muito cool abordando isso. Dar más notícias não é nada cool. É bem mais legal e cool salvar baleias, fazer coisas com garrafas PET, reaproveitar resíduos e ajudar direta ou indiretamente a paz mundial, os famintos, os discriminados, os refugiados.

Mas sem se preocupar tanto em ser descolado, esse trailer do curta Hypernormalisation de Adam Curtis se chama "Living in an Unreal World". Mas o problema é que ele é totalmente real. E nós vivemos nesse mundo, tomando pílulas azuis diariamente, narcotizando nossos sentidos com algoritmos que nos fizeram acreditar serem mais inteligentes que nós.

Só acredito num algoritmo mais inteligente do que uma pessoa em uma condição: se ambos forem programados.