“Explosão” de George Grosz (1917)

Viver em uma sociedade de consumo implica vez ou outra, ainda que com certas reticências, estar alinhado às novas tendências. Ao longo do ano de 2020, como era de se esperar, as necessidades de distanciamento e isolamento social impuseram uma série delas. Um exemplo importante são os chamados cursos online que já existem há muitos anos, mas que tomaram centralidade na chamada vida útil e produtiva da pandemia. Ansioso por conhecimento me aproximei deles a partir do mês de abril e em agosto decidi realizar mais um, dessa vez abordando técnicas de escrita criativa. A escrita é algo que sempre…


Em Vigiar e Punir, ao se referir a aplicação da tecnologia de poder, alinhada à administração política, como modelo de sanção da contemporaneidade, Foucault cita o fato de que nos presídios modernos se tornou frequente a presença de psiquiatras e psicólogos. Não são mais os carrascos que cortam os pescoços dos detidos com machados e guilhotinas, para mostrarem ao público o exemplo, que acompanham os momentos mais tensos na vida de um preso; mas profissionais com conhecimentos técnicos que os aplicam no intuito de controlar os corpos, discipliná-los e socializá-los, uma vez que interessa mais as forças produtivas a utilização…


As redes sociais como outros elementos constituintes da contemporaneidade são profícuas em produzir falsas impressões. Talvez a principal delas — e veja bem não se trata da única — seja a de fornecer companhia virtual em meio a um ato eminentemente solitário como o da navegação pela web. Com tantas pessoas supostamente interagindo ao mesmo tempo, expondo suas fotografias para nós como só os íntimos faziam há algumas décadas atrás, deixando claro aquilo sobre o que concordam ou discordam, descrevendo a sua rotina nos mais ínfimos detalhes e construindo um painel de suas preferências, é fácil confundir o espaço da…


Faço parte de uma geração que ouviu histórias, contadas de bom grado, mas baseadas em fatos irreais. Uma geração que chora e se lamenta porque entendeu que “sonhos” eram para ser música nos ouvidos, e não a expressão mais contundente de lágrimas que descem dos olhos e suor que grassa do rosto. Que entende que a vida tem que ser perfeita, sem desafios, sem sofrimento. …


Essa semana, não sei se pela exigência psicológica de estar sempre a fazer algo interessante, criativo, enriquecedor e curioso, estive permanentemente irrequieto pela ausência de ideias. Nenhuma palavra escrita há dias, em um contexto pessoal de tédio e ócio, preenchido em boa parte das horas por leituras de jornais, revistas e livros ou quando então pelo eterno sono juvenil, pelos mesmos hits musicais que tocam na rádio (sim, boa parte do que eu ouço, ouço por estações) ou pelos discos alternativos disponíveis no Spotify, pelos filmes e mais filmes que mais tarde sequer lembro o nome e por alguns seriados…


Tento fazer sentido, tento tomar notas

Notas, rotas, esparsas, desmoronando

Tento causar deslumbre na agonia horária

Cartas, calhas, calejadas, precipitando

Aquilo que é claro para mim, claro não é a ele

Não é a ela. Verão, inverno. Jardins, luzes, fábricas.

As sombras de um pequeno rapaz assustado

Iluminam os passos de um pequeno rapaz paralisado

Na triste tinta que transborda da caneta

Nos sons melancólicos emitidos nas teclas

Na lâmpada acima, no tédio existencial, na lágrima seca

Verte os teus passos, garfos, caminha para a ilusão

Sente o teu peito bater, sente os teus olhos fluir

Sente a pasta amarela…


Não finalizei. Mas cansei de esperar. Fui reto
Fui torto. Atrás de mim convive a lembrança
De um besouro encravado entre folhas vermelhas
De um outono senil que desperta a angústia
De um baço de elefante saturado de surpresas
Reina aquela imagem convicta. Convexa. Das suas naturalizações

O espelho está rachado. Mas pelas veias circula um líquido
Ácido. Atômico. Doce. Salgado. Em dias de chuva esfumaçada
Em tardes muito tardes. Onde se ouve um ruído. De desespero
Mas logo aqui ou logo ali há esperança. Em poucas quantidades
As cores mistas me atraem e isso não quer dizer coisa que valha
Diz muito sobre um…


Aos 22 anos há muita coisa que precisa ser dita. Sempre há palavras a serem expressas em qualquer idade, é verdade. Mas aos 22 transita-se de modo muito acabrunhado da adolescência para a vida adulta. Vai de cada um, de cada personalidade, de cada estilo, o jeito certo de encarar as dificuldades que surgem, as barreiras que se impõem e os limites que precisam ser reconhecidos. É nessa fase de crescimento pessoal que os ansiosos ficam mais ansiosos, os amedrontados passam a sentir mais medo e os perpetradores dos sete pecados capitais passam a exercitá-los com mais afinco.

São nesses…


Aprendemos que a diferença do ser humano para os demais seres é a sua capacidade de raciocínio que decorre, obviamente, da titularidade que possui em relação à razão. Essa linha de pensamento é consequência da escala hierárquica e moral que estabelecemos em relação aos chamados “animais” e, portanto, da ideia de que a espécie a qual pertencemos deve ter o pleno domínio da natureza e a prerrogativa de usufruir dos recursos que essa dispõe em razão da superioridade que carregamos (alguns baseiam tal usufruto na ideia de que nós, assim como os animais selvagens, estamos inseridos em uma cadeia alimentar)…


Mente sã, corpo são. É possível falar de saúde mental e equilíbrio pessoal em tempos de covid 19? Parece ser difícil afastar o espectro do pânico quando o inimigo invisível se instaura entre nós, ameaçando arrancar todas as perspectivas.

As pessoas vão à escola, ao trabalho, à universidade. Consultam-se nos hospitais, fazem compras nos shoppings, bebem nos bares, comem nos restaurantes, divertem-se nos teatros e cinemas. Em diferentes espaços, constituem-se as arenas de sociabilidade, os terrenos onde se exercitam as liberdades de ir e vir e de consumo. …

Alberto Luis Araújo Silva Filho

Politólogo e Sociólogo por vocação, Cinéfilo e Leitor de Romances nas horas vagas, Poeta nos momentos de delírio e Perplexo com o mundo a cada segundo.

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