DOIS MIL E QUINZE,

ano difícil, amargo, triste, impiedoso, realista e vazio.

Desde 2010, todo final de ano (dia 30/12), entro em um ônibus em Tietê que vai para Piracicaba. Nesse trajeto de 45 minutos escrevo no app note do Iphone uma espécie de resumo sobre fatos e acontecimentos que merecem serem revividos. Nunca tive problema no fluir textual. Esse ano estou tendo. Dessa vez, tá difícil.

2015 começou com tiro, porrada e bomba lá na França e logo depois escancarou aos brasileiros o escândalo da Petrobrás e materializou em um olhar o ano que viria.

Envolvido no escândalo da Petrobrás

2015 foi um ano caído, torto, vazio, um ano zero a esquerda.

O texto de 2014 foi uma delicia fazer, ano passado tivemos Copa e Eleições, e de forma espetacular revelamos a nossa hospitalidade aos estrangeiros e o pior da nossa “cordialidade” aos brasileiros que não tinham a mesma posição política. Na síntese, 2014 foi um ano doce e amargo.

Já 2015 parece que foi uma coisa só. Embora não consigo entender, destilar e muito menos saborear, nesse momento, essa coisa. Só sei que foi uma coisa que demorou para acontecer.

Todas as estações do ano passaram, só não passou aquela vontade de sentir, em algum momento, um contentamento em estar realmente vivendo 2015. É duro estar sobrevivendo o hoje querendo viver o amanhã. É tão vazio. É tão triste. É tão 2015.

Rompimento das barragens em Mariana (MG) levou à contaminação do rio Doce.

Triste foi ver o Rio Doce deixar de existir. A lama não transbordou apenas em Minas Gerais, transbordou em todo Brasil. Uma lama impiedosa que degrada e envergonha um país (quase que) inteiro.

Quase, pois há aqueles poucos que estão protegidos em suas torres de marfins no Planalto Central. Essas figuras parecem que não tomam vergonha. Consequência de uma sociedade que há anos vem tangenciando o debate político no cotidiano. Fomos educados a não debater política e assim fortalecemos um sistema político sem massa crítica. O processo de abertura do impeachment da atual presidenta é a realidade batendo em nossa cara da forma mais realista.

Política ainda não chegou nas rodas de bar, mas a questão do empoderamento feminino sim! Essa foi uma pauta onipresente: o poder da mulher. Em algum momento, você teve contato com esse assunto e por algum instante necessitou refletir e em vários momentos se deu conta que você era o amigo secreto da tão essencial campanha #meuamigosecreto.

É a primeira vez que a palavra do ano não é uma palavra.

É… 2015 foi um ano tão excêntrico que a palavra do ano, eleita pelo Dicionário Oxford, não é uma palavra. E sim um emoji.

2015 foi um ano tão bizarro que gerou um debate sobre a cor de um vestido: Azul e preto ou branco e dourado.

2015 foi um ano tão artificial que um app de dublagem (dubsmash) foi a sensação no primeiro semestre.

2015 foi um ano tão surreal que não contente em acabar com a Água de SP, nosso Governador tentou fechar escolas no Estado de São Paulo.

2015 foi um ano tão plástico que todos queriam saber se o Bumbum da Paola de Oliveira era de silicone ou não.

2015 foi um ano tão retrógrado que tentaram tirar do ar uma novela (Babilônia) e uma propaganda de perfume (Boticário) por mostrarem casais se beijando.

Isso sem falar que em pleno século XXI, nosso Vice-presidente mandou uma carta a Presidenta e ficou surpreso que o conteúdo da mesma vazou.

“Senhora? Senhora? Volta aqui Senhora?”… não adianta correr, que 2015 já te pegou. Temos que encarar 2015 como a Jéssica de nossas vidas. Mesmo apanhando, devemos nos erguer e soltar um audacioso: Já acabou, 2015?


Estou chegando na rodoviária de Piracicaba e não consegui curtir o que escrevi até agora. Mas como curtir um texto que resume um ano tão vazio ? Quero, ao menos, conseguir extrair um ensinamento e, assim, esquecê-lo.

Talvez a coisa, que não soube explicar lá no começo do texto, seja coragem.

Já 2015 parece que foi uma coragem só. Embora não consigo entender, destilar e muito menos saborear, nesse momento, essa coragem. Só sei que foi uma coragem que demorou para acontecer.

Olha! 2015 parece que começa a fazer sentido e ter coerência quando o sintetizamos como Coragem, principalmente ao compreender que coragem significa coisas diferentes para pessoas diferentes.

Originalmente, surgiu do latim “cor”, que significa “coração”, e a definição original da palavra era “contar a história de quem você é com o coração”.

Coragem significa ser quem você é. Expressar-se por completo apesar do que as outras pessoas podem pensar a seu respeito. Coragem também significa seguir adiante, mesmo frente a incertezas.

2016 #PodeVirPodeChegar. Que Coragem nós já temos para enfrentá-lo. A todos uma ótima virada e bom fim de ano :)