Há um tempo não escrevo nada. Por razões corriqueiras, claro. O cara que antes conseguia exprimir todo um sentimento em meras palavras bem arquitetadas, agora já não sabe rimar “chá” com “mar”.

A vida anda louca, meu amigo. Olha pra essa cara de chapado, esses lábios queimados e o cabelo há meses sem ver o senhor Marcone, sim, ele mesmo, o barbeiro! Não mudou muita coisa desde a última vez que tive contato com a escrita. Um ano atrás? Sei lá. Meu pau não crescera tanto de lá pra cá, imagino, e a barba que eu nunca tive também não cresceu. Não tenho emprego e muito menos diploma, ando em um dilema fecal entre vestibular ou tomar uma cartela de diazepan e ver o que me acontece.

Sabe aquilo que os livros dizem, que você cresce e vira um cara ranzinza e cheio de “não-me-toque”? É super verdade! Um brinde àqueles que sempre nos alertaram e um brinde a nós, que sempre nos achamos “diferetões” demais, donos de um intelecto muito fortalecido por Nicholas Sparks e Jhon Green, crentes que escaparíamos da complexidade que é ser humano. Bom, está tudo aí. Querendo ou não, a gente passa por uma fase na vida — que, preciso dizer, é nessa que estou — que realmente imitamos nossos pais. Não que você vá acabar como eles. Não, sem essa.

É que o mundo te tira expectativa por expectativa e quando você vai ver, olha lá, estamos caçando as moedas pra ver se dá pra comprarmos a maconha do mês. Não que você tenha se tornado um drogado, não é isso, mas você acaba alcançando alguma válvula de escape querendo ou não. Na academia, com a nicotina, comendo demais ou, quem sabe, na velha e inofensiva cerveja? Tem todo tipo de hábito no mundo e deve haver quem viva sem eles, e viva bem. Dos mais saudáveis e com o check-up do mês todo “ok” , aos mais medíocres que, sim, é o meu caso. No final das contas, além do sistema, nós comemos, fodemos, fumamos e bebemos as nossas próprias expectativas. No duro, é de chorar.

Perdão, o mundo não é tão horrível. A vida é muito bela, sim. Na verdade, o que é belo mesmo é a nossa mente, o nosso corpo. O ser humano é maravilhoso, a natureza é maravilhosa. A gente aprende isso com o tempo. O modo como vemos o mundo e o modificamos a nosso favor é maravilhoso. Nossa capacidade de fazer e desfazer complexos é bárbara. Estar, enfim, com todas as células funcionando perfeitamente e o cérebro intacto, é demais. Morrer é tão down!!!!

Ando meio sem nexo, devo confessar. Comecei isso achando que me aliviaria de certa forma, mas só me serviu de mais algumas horas de insônia.

Particularmente, eu sinto muito, eu amo muito tudo e amo quase nada na mesma intensidade. Tem sido dias de gente grande, sabe? É aquela velha história. Tem dias que é lindo, tudo está em seu lugar. E há dias que tudo está uma zona, inclusive você, sua cabeça e seu rabo. Mas isso significa viver. Ou, pelo menos, ser humano. Afinal, a gente muda tanto, mas a essência permanece.

Nós temos muitos nós que só nós mesmos conseguimos desatar.