Sobre não ser especial

Nenhum sofrimento te individualiza

Acredito que estabelecemos escalas pra tudo, o que também se aplica a qualquer sofrimento. Basta que nos deparemos com qualquer decepção maior que as outras e lá vem a tristeza, o sentimento de culpa e a dor. Conheço poucas pessoas que não seriam afetadas dessa maneira. O que quer dizer que nunca somos os únicos no planeta a sofrer com qualquer coisa que seja. Outros sofreram e sofrerão. Mas ainda temos a mania de falar sobre os acontecimentos como se tal experiência fosse pioneira. Ao falar dela, parecemos “Einsteins” falando sobre a Teoria de Relatividade: nós abrimos as portas do sofrimento individual, ninguém mais sofreu assim.

É uma nada curiosa constatação. Falo isso porque nos últimos dois dias presenciei algo que me tirou o chão. Minha reação não foi das melhores devido à “novidades nas circunstâncias”.

No vai e vem de troca de ideias, descobri que dois amigos sofreram de forma parecida. Lidaram da melhor forma que podiam e ainda estão aí. Um pouco mais frios e continuam vivos! Percebi também que não tenho nada de especial por passar por alguma situação que todo mundo passou ou vai passar e que não posso elevar qualquer sofrimento ao nível de um último suspiro. Chega a ser contraditório.

Por fim, aprendi que em um primeiro momento não conseguimos lidar muito bem. E as conversas com amigos são muito importantes. A partir delas entendi que o que aconteceu não foi nenhuma novidade e não me torna especial. Qualquer atitude que atribua caráter especial a qualquer acontecimento ajuda a enraizar a dor.

O importante mesmo é que os bons amigos estarão lá e uma miríade de aprendizados virá. A dor não é “bem” exclusivo pra ninguém.