Surprise, modafócka!

Estávamos em um daqueles pubs caros da zona sul. O Henrique aniversariava e todos os nossos amigos mais íntimos estavam lá. Muitos, como eu, foram pela consideração; outros foram porque também tinham grana pra gastar. Eu colei no bar e pedi uma cerveja. Os outros bebiam destilados ou coisas mais fortes. Como morava muito distante do lugar, preferi não arriscar.

Conversávamos sobre trabalho, os tempos de faculdade e colégio. Sobre tudo o que pudemos recuperar de memória na hora. O riso e a diversão estavam presentes. Mas a alegria durou pouco, afinal tratava-se de uma comemoração do Henrique e o Henrique quando não criava os problemas, os problemas criavam-se sozinhos e corriam em sua direção. Era a práxis.

O problema tinha nome e 1,65 de altura. Chamava-se Maryanna. Era uma garota que o Henrique pegava e que tinha um namorado, Marko, que mais parecia a fusão de um homem com um rinoceronte e um hipopótamo. O cara parecia pesar mais de uma tonelada. Absolutamente todo mundo sabia que os dois saiam, menos o namorado da tal Maryanna. Quero dizer, não sabia até o dia do aniversário do Henrique.

Eu achei que estivesse numa cena do filme dos vingadores. O cara entrou no bar como um animal desembestado, jogando todo mundo pro alto. Nenhum dos seguranças conseguiu conter o cara. Nós muito menos. Eu tentei agarrá-lo pelo pescoço enquanto procurei tapar os olhos do brutamontes. Queria dar algum tempo para o Henrique fugir.

A coisa só acabou quando a polícia chegou. Faltou ambulância pra todos os feridos. Muita gente com escoriações, Henrique com dentes e um braço quebrado e eu ainda levei uma cotovelada que estourou o meu supercílio que deixou o lado esquerdo do meu rosto roxo por uma semana.

Eu espero que aquele imbecil tenha aprendido a lição e evite se aproximar das garotas que namoram versões live-action do Rino, senão eu mesmo vou dar uma surra nele.

One clap, two clap, three clap, forty?

By clapping more or less, you can signal to us which stories really stand out.