“dentro do mar tem rio”

porque a gente se esquece da gente humilde. quando a gente flutua círculos muito altos, esquece de olhar pra baixo. esquece. não é por mal. é que esquece.

e eu digo isso sobre tudo, sabe? discussões, trabalhos, importâncias, preparos: uma vida inteira de esquecer porque a gente faz as coisas. movimentos, passeatas, pesquisas, encontros: tem que lembrar. quebrar muros, sair do conforto, da mesa, ver o que está por aí e não é considerado. certa sabedoria, sabe? uma mágica. está no comum, no simples, no singelo. está ali, mas entre tantos dias e tantas coisas e tantos compromissos e horários e chás e letras: a gente esquece. e precisa lembrar.

se a gente não lembra, se a gente não pisa no chão, se a gente desencontra — se ninguém, em última instância, ninguém, nos entende: por que fazemos?

claro que tem muitos motivos. e todos podem ser muito nobres. (e aqui eu penso naquela menina — uma menina — que me disse certa vez que ir ao shopping importa demais, mesmo que isso signifique uma cadeia de acontecimentos que, em última instância, de novo, sofre o comum, o singelo, o banco da praça, o sol e o sorvete.) mas tem um em especial. que é lembrar da profundidade do ver-o-outro.

dê o nome que quiser. ver-o-outro. no fundo, me parece, tem que ser isso…

prestar atenção numa Maria Bethânia cantando Chico ao lado do Caetano e de Dona Canô, sentados, todos, numa varanda de Santo Amaro: olhar e ver, tudo isso.

One clap, two clap, three clap, forty?

By clapping more or less, you can signal to us which stories really stand out.