Um Prólogo ao Poliamor

[…] após a Segunda Guerra Mundial, com a destruição de Hiroxima eNagasaki, a ameaça da bomba atômica paira na cabeça dos jovens.Com o sentimento de insatisfação que isso provoca, eles começam a questionar os valores de seus pais. […] Em vez de se enquadrar nos papéis determinados pela sociedade, estavam dispostos a buscar uma verdadeira liberdade, surge então a Geração Beat, composta de jovens intelectuais americanos que em meados dos anos 50, resolvem, regados a jazz, drogas, sexo livre e pé na estrada, fazer sua própria revolução cultural através da literatura.(LINS, Regina Navarro. Amor a Três. Best Seller Ltda., 2008, p.56.).

Essa geração foi a primeira a questionar a tradição do amor romântico, passivamente aceita por outras gerações.

Logo em seguida, na década de 1960, surge a pílula anticoncepcional, dissociando a procriação do prazer, dando mais força a essa revolução surge o movimento hippie, caracterizado pelo “make love, not war”, questionavam na prática até a monogamia e propunham um conceito diferente de família. A descoberta da possibilidade de amar várias pessoas ao mesmo tempo e ter uma vida afetiva mais ampla, foi a grande revelação.O primeiro registro bibliográfico que se conhece até a data, é de 1953, e surge da Illustrated History of Literature, Volume 1, por Alfred Charles Ward a Henrique VIII é dado o adjetivo de “determinado poliamorista”.

A palavra “poliamorosa” surge depois numa obra de ficção, Hind’s Kidnap de Joseph McElroy, em 1969, associada à ideia de que a instituição Família está “acabada”.

As definições acerca deste assunto com uma história recente são muitas, de acordo com o The Poliamory Society ¹:

“Poliamor é a filosofia honesta, responsável e ético não possessivo e prática de amar várias pessoas simultaneamente. Poliamor enfatiza escolher conscientemente quantos parceiros quer estar envolvido ao invés de aceitar as normas sociais que ditam. […] Poliamor abraça a igualdade sexual e todas as orientações sexuais em direção a um círculo alargado de intimidade conjugal e amor. […] Esta ligação, geralmente, mas não necessariamente sempre, envolve sexo. […]”.

O poliamor na sua base se importa com o aspecto psico-emocional e não apenas com o sexo. Na poligamia tradicional a objetificação da mulher é evidente, a forma mais usual é a do homem que possui um “harém”, ou seja, que é casado com várias mulheres e possui uma espécie de direito de propriedade sobre elas. Os não-monogâmicxs não usam “poligamia” como sinônimo de poliamor, pois é fundamental que todxs xs envolvidxs na relação estejam cientes e de acordo, honestidade e transparência são básicos.

Em resumo poliamor é uma forma de não-monogâmia onde existe uma infinidade de possíveis configurações de relacionamentos entre várias pessoas, definidas pela explicitação de regras consensuais, os parceirxs envolvidos decidem como será o relacionamento por meio de muito diálogo, deixando claro a todo o momento o que é confortável e/ou seguro para cada um(x), as configurações possíveis de um relacionamento poliamoroso podem ir das mais abertas e horizontais até aquelas que incluem polifidelidade (acordo que haverá exclusividade de envolvimento entre um número limitado parceirxs).

Ao contrário do que se pensa os poliamoristas não são contra o casamento, há aquelxs que reivindicam o direito de se casar com mais de uma pessoa, inclusive aqui no Brasil, em 2012, no município Tupã, no interior de São Paulo foi registrado em cartório a união entre três pessoas. Em milhares de anos de história dos relacionamentos humanos, passando por todas as combinações possíveis e imagináveis, o modelo de monogamia não deve ser regra, ou tido como “normal”, tomando como exemplo os casos de divórcios hoje no Brasil, que de acordo com o IBGE de 2010 a 2011 o país registrou um aumento de 46%.

Nos Estados Unidos, de acordo com Caryl Rivers, professora de Jornalismo da Universidade de Boston, apenas 25% das famílias são a típica família nuclear monogâmica heterossexual.

Considerando que passamos grande parte de nossa vida à procura de par ideal, visando suprir apenas nossas necessidades em terceiros, o poliamor busca em todo seu complexo e extenso significado bloquear essa constante e obsessiva busca de encontrar alguém perfeito, além disso, também rompe aquele medo da solidão, abandono e traição que é típico nos relacionamentos monogâmicos.

¹ Uma ONG, que tem como objetivo fornecer apoio a famílias e relações não-diádicas.
Show your support

Clapping shows how much you appreciated Larissa Azevedo’s story.