CAPA

Tire, ao entrar, qualquer rastro da rua. Ao entrar tire os sapatos e varra a casa

Olá! Você está entrando na redoma de um indivíduo que muda conforme a foto de capa! Caso for de esbarrar, peça desculpa.. simplesmente por lhe tocar, no chão do asfalto tem uma linha amarela que indica a trajetória. Antes de continuar: Você teria um esqueiro?

Ao sair, tranque a porta, preste atenção para os gatos não saírem, goze mas não grite que é para ninguém ouvir, tape a boca, entupa sua fala, tenso aspecto em plutão. A noite, abro olho e vejo uma fumaça parecida com nuvem, que me faz trocar o sono por tais registros de palavras. Bom dia! despertar é atualizar o projeto de vida que te mata e nele está incluso mirar algo bem longe na linha do horizonte e a cada alcance ser momentaneamente feliz inventando outro ponto cada vez mais distante. O som do universo segue sendo o seu lugar de fala, um noise tranquilo de todas as bocas do mundo. Tranque-se no quarto, medite, enquanto o tiroteio não passa. A bala sempre mira sem ninguém pedir licença, vive mais quem não se deixa atingir. Tome suas doses de insensibilidade ao dormir, uma tarja preta sinaliza o limite do outro. Vivenciamos a era do amor neural, neurótico, aquele em que o sujeito que ama com a cabeça. Seres evoluídos dominam o esvaziar do peito para prosseguir a existir. Nenhum lugar no meu mundo pra você pisar com seus pés limpos, nosso tempo acabou. Fim da estrada, pode prosseguir por outro traçado amarelo que eu vou por este outro aqui. Até que um dia, cansada do seu agora, você resolva olhar para trás e busque fundo, em baixo, nos porões da memória e comece a vasculhar para achar aquela pasta esquecida, onde deixou-me arquivada. Duas opções: Desapegue e exclua ou relembre-me tirando um pouco da poeira. Odeia a quem te ama, desvia teu caminho do meu se mantendo-se a uma distância segura para que eu não possa atravessar todas as suas desculpas para não viver. Pois eu sou um tiro que atingiu você, sem pedir licença.