IMAGEM MERAMENTE ILUSTRATIVA que remete a algo antigo.

cem anos

chovendo no molhado


tudo me leva a crer que a cem anos atrás a vida era foda. os indíncios estão aí nos livros, na Wikipedia, no que o bisavô do seu pai contava pra ele. nascido no hemisfério do sul?¹ multiplica por dois e eleva ao cubo sua desgraça. expectativa de vida baixíssima, desenvolvimento tecnológico em estágios iniciais², preconceito, discriminação e misoginia eram os alicerces da sociedade. uma tuberculose te foderia cavalarmente pelo resto da vida. e a pólio? é certo que depender de um pulmão de aço³ não é das melhores experiências que uma pessoa possa experimentar. eles eram famosíssimos.

as pessoas morriam aos montes de epidemias e principalmente das más condições de higiene e de habitação. basta imaginar uma cidade sem sistema de saneamento.

eu sou imensamente grato por viver nessa época. você, classe média de um país de terceiro mundo, vive melhor do que um faraó. se a cem anos a expectativa de vida girava em torno dos quarenta e, com muita sorte uns cinquenta anos, a três mil anos atrás se você não fosse um personagem bíblico para viver seus duzentinhos, com muita sorte se chegava aos trinta. inclusive, em alguns países da áfrica subsaariana as pessoas ainda vivem debaixo dessa expectativa.

felizmente a expectativa de vida é algo que só tende a crescer. daqui há cem anos, não serão raros os casos de supercentenários, pessoas que atinjam cento e dez anos ou mais. embora eu entenda que, patologicamente falando, cada época tenha os seus algozes. nesse século, por exemplo, vejo como carrascos o câncer e a depressão. quando os minimizarmos, aparecerão outros? é provável que sim. mas é certo também que estaremos mais preparados.


1 — exclua a Austrália e a Nova Zelândia. claro que estou calcado no preconceito. desbaratino.
2 — sim, porque durante toda a idade média a igreja fez questão de barrar qualquer desenvolvimento que porventura pudesse subverter e desmistificar seus ensinos supersticiosos.
3 — eu SEI que o pulmão de aço ainda não tem cem anos, mas tá pertinho, hein!

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