O Casamento


Nessa semana, me caso. ☺

Mas você é tão novinho! Por que agora? Enrica primeiro, Alex!

Na contramão do que a maioria das pessoas possa pensar, ou já terem passado, eu não estou ansioso — muito pelo contrário, me sinto tranquilo em relação ao ato de casar em si e aos preparamentos. Na verdade, uma eventual ansiedade deu lugar a outras, digamos, preocupações igualmente vitais. Explico.

Obra


Estamos finalizando as obras da nossa casa. E isso é algo que, além de sugar bastante nossos recursos financeiros, ainda trás uma carga emocional tremenda pelas responsabilidades. Na nossa obra, por falta de mais dinheiro, trabalham apenas um pedreiro e um ajudante (o Chuck. E sim, é por causa do brinquedo assassino). Isso significa que eu e ela nos tornamos o engenheiro, o mestre, o departamento de suprimentos e financeiro. Quem já esteve envolvido na construção do próprio lar, ou em uma reforma e não pôde contratar uma empreiteira, tem uma boa noção do que eu estou falando.

Programamos a data da entrega para que coincidisse aproximadamente com o nosso casamento no civil e adicionamos uma folga nessa data para contratempos que com certeza viriam a acontecer . Evidentemente, seguimos à risca o protocolo que rege toda obra independentemente do seu porte, e ela está atrasada. Mas é só um pouco. Estamos na reta final e sinceramente felizes com o que fizemos até agora.

Quase Casados


Já faz um tempo que vivemos praticamente como casados. Isto é, a despeito e contrariando todos os nossos amigos e familiares que afirmam que já somos casados sim. Dormimos todos os dias juntos, cozinhamos com alguma frequência e esporadicamente a ajudo com o pandemônio particular dela chamado “quarto”.

Esse tipo de vivência para nós no período de namoro foi muito positivo. Aprendemos muitas coisas positivas juntos sem assumirmos todas as responsabilidades de um lar. Mas, mais importante, a não termos pudor em peidar na presença do outro.

Tudo bem, essa última não é para tanto. ☺

Aluguel


Na nossa atual situação, uma coisa me ajuda bastante com a perspectiva iminente de uma vida a dois: não pagaremos aluguel.

O Dinheiro Sem Retorno


Eu entendo que para muitos casais, mesmo os que ainda não têm filhos, o jeito mais rápido e relativamente fácil para saírem da casa dos pais é alugar um apartamento/casa até que possam ter os recursos necessários para terem à própria residência. Ainda mais no Brasil em que superfaturar o preço dos imóveis e terrenos é algo culturalmente introjetado. É compreensível que para muita gente o aluguel seja de fato a única solução.

Por outro lado, é muito difícil abrir mão de uma boa parcela do orçamento todos os meses em razão dele. Para muitos recém-casados, eu imagino que esse dinheiro poderia ser utilizado de várias maneiras, como por exemplo, aliviando algumas dívidas, no financiamento de um veículo e em algum lazer.

Pensar que não terei que arcar com esse fardo todos os meses é algo que me tranquiliza bastante, apesar de todas as mazelas na hora de se construir.

Muita gente perpetua que o dinheiro pago em aluguel é um dinheiro sem retorno. Mas não é bem assim, afinal, esse dinheiro te garante um teto e à sua independência. No entanto, a meu ver, anos à fio sem contar com esse dinheiro é prejuízo.

O Veredicto


Passar por tudo isso ainda no namoro fortaleceu minha certeza e me deu motivos palpáveis para pedir sua mão em casamento. Além do mais, eu sabia que ela não me negaria.

Enfim.

É natural que algumas coisas irão mudar, mas nem de longe essa é uma decisão embasada apenas na emoção. O que virá a seguir serão coisas que já mensuramos com uma base sólida na nossa vivência antes do casamento. Uma vivência que poucas pessoas tiveram o privilégio de usufruir. Entre os meus amigos e membros da família, nosso caso é único; e talvez por isso que somos chamados de loucos com certa frequência.

Somos loucos sim. ❤