Veneziana

Teus cabelos negros me contam histórias
Isso é claro, pois, claro, eles têm memórias
Das tuas aventuras e dos teus desejos
Dos teus pesadelos 
Guardam pedaços, traços
Abraços e bocejos
Gravam tons de cor, luz e lancejos

Teus olhos camuflam-se nos tons do café
Esperam afago, cuidado, cafuné
Aguardam um beijo, um aceno, um olhar
Anseiam por aquilo que homem nenhum pode dar
Querem ver o invisível e enxergar o inxergável
Mas só podem rastrear tons do universo estável

Tuas mãos pequenas me tocam a alma
Cura-me feriadas do peito e acalma
O furacão de dor e de suspeitas, desfeitas
Energias ruins, estratégias mal feitas
Acariciam-me a pele em fervura
Entra em erupção ao sentir tua ternura
Sinto coçar-me tuas unhas estreitas

O cheiro sentido é presente do vento
Seu perfume que chega por um momento
E o meu frago alegra, festeja
Vontade causada, não pestaneja
Passo dado em soar de bolero
Um beijo molhado, espero
Um abraço apertado, enseja

Pois se não me falte a memória
Ainda terei muito tempo para escrever história
E mesmo que não tivesse, que seja
Seria agora teu de bandeja
Encerro realizando a causa compulsória
E pra ti escrevo esta poesia,
Victória.

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