Caos e Calma

Eu precisava (ou preciso ainda) escrever sobre uma coisa que me chateou, entristeceu, aborreceu, incomodou etc. [não consegui entender e/ou definir ainda o sentimento certo a respeito] e aqui eu queria propor uma intra-discussão de quão apegados somos ao passado, não vivemos o presente e projetamos o nosso viver no futuro [geração ansiedade].

Em 2016 vivenciei diversas descobertas, vivi inúmeras experiências que jamais imaginei e, por isso, o resumi em uma expressão paulistana muito comum: ‘MANO DO CÉU’. Todas as situações pelas quais eu passei me fizeram perceber e descobrir outro Alexandre. Entendi que nem todos são verdadeiros quando falam, nem todos querem o seu melhor, que a vida é cheia de armadilhas e pegadinhas; mas nem tudo é tempestade — afinal, ontem caiu um dilúvio em São Paulo, e hoje o dia está mais do que lindo e límpido — tiveram os momentos mais que especiais e de alegria pura e irradiante (que percebo — graças à lembrança de uma amiga — o quão feliz fui/sou ao viver o que eu vivi em 2016).

Mas essa discussão sobre “nossa, como foi o meu 2016”, não é à toa e não estou fugindo da proposta que adiantei no início desse texto, pelo contrário, é só para entender como eu estava até então e explicar o turn point desta última semana.

Até meados de 2016 estava em um relacionamento sério <ponto final>, contudo, já não éramos mais o que imaginávamos. Vi-me sendo o namorado que não queria ser, aliás: nunca queria ter sido; entre as milhões preocupações da vida o namoro começou a ser uma espécie de fardo e preocupação adicional, e não o “alívio” da minha semana, o “refúgio”, o “abrigo”, como muitos assim descrevem. Pensando nisso, tomei a iniciativa <tardia ou precipitada, dependendo do ponto de vista> de terminar esse relacionamento que lutei <muito> para conquistar [by the way, aquele coraçãozinho foi difícil de conquistar, mas valeu à pena no final] — parênteses para esse momento: estou escrevendo e a nostalgia bateu à porta e uma lágrima caiu e um leve sorriso se manifestou do lado direito — .

Ao final de janeiro certos movimentos — estranhos –foram identificados na rede social dela: fotos com outra pessoa (outro homem), declarações de amigos “ai que fofos”, “vocês juntos?” etc. Aquilo me incomodou? Acredito que sim, o que me motivou a parar de segui-la no facebook… Mas os amigos ajudam? Não ajudam! Talvez porque acreditam que você está realmente bem e com certeza sem nenhum resquício daquele relacionamento de quase 2 anos (+ 5 anos de amizade). Começaram a me mandar “ela está namorando?”, “você viu a foto dela?”, “caramba, já tá namorando”!, como eu disse: os amigos não ajudaram.

Não ajudaram porque não queria ver alguém por quem fui apaixonado em um relacionamento sério com outra pessoa tão rapidamente, não quero imaginar os ‘bom dia’ dela direcionados a outro homem, não gostaria de imaginar muitas coisas… Até que me falaram: “ela está namorando mesmo” [repare, não é mais uma interrogativa destinada ao ex-namorado/ex-melhor amigo, agora era uma afirmativa com ‘re-afirmativa’ do ‘mesmo’], isso tudo me levou a stalkear e me levou aos milhares de questionamentos: Quem curtiu? Quem comentou? Quem é ele? Desde quando? Quem deu amei?… E não parou por aí, vieram os “babacas” com: “perdeu”, “o que você demorou 10 anos, ele conseguiu em 5 meses” — what? Como você sabe que foram 5 meses? Nós terminamos há 5 meses! Não me venha plantar a ideia de que ela começou a flertar logo depois que terminamos! Não plante sementes ruins! Não seja mais uma pessoa tóxica em minha vida!

Quando me vi, estava triste, incomodado, aborrecido, chateado. Um mix de sentimentos que ninguém deseja ter em relação à ex e depois de todas as descobertas e acontecimentos de 2016 — NÃO FAZ SENTIDO! — concorda?

E agora? E agora você entende: apego, estou apegado, segurando firme o passado e não deixando que se vá. Por que? Talvez porque a queria como chaveirinho? Ali do meu lado, mesmo não conversando? Mas eu não disse que ela deveria seguir a vida dela e não se prender a mim? Não fez parte dos nossos “mandamentos do término”? Por que o incomodo? Por que a tristeza? Porque estou apegado! Devo deixa-la ir, devo deixar o sentimento escorrer pelas mãos, devo deixar de vez por todas ela no passado. Mas no passado ficaria nossa amizade? Talvez. Sim, eu entendo e isso é o que mais me dói. A perspectiva de não haver mais a amizade. Não existir mais os amigos do ensino médio… Todas as lembranças serem colocadas em uma caixa que irá para o lixo… Meu receio é dela tomar essa atitude e não entender que eu quero e preciso da amizade verdadeira dela, apesar de toda a nossa história de amizade…

E com isso tudo onde estou? Estou fisicamente no presente, mas vivendo indagações do passado e projetando a minha vida no futuro… Acho que é isso. Vamos aguardar as cenas dos próximos capítulos, talvez eu discorra melhor sobre esse sentimento quando eu entende-lo melhor. Por enquanto é isso.