Sobre encontrar, começar e se decepcionar.

Desde os últimos acontecimentos muitas coisas me fizeram pensar se não seria o momento, de fato, de dar a oportunidade e quebrar as barreiras que levanto logo quando conheço alguém (logo eu, muro de Berlim).

Vi-me ao longo das últimas semanas em um looping existencial: app > dedinho para o lado direito > crush com alguém > conversar > puxar assunto > demorar para responder > adicionar no whatsapp > começar uma conversa decente.

Tá. Ok! Mas qual o problema? O problema está nas barreiras que você levanta e os momentos que você as abaixa também. Levantei a barreira diversas vezes, não deixem ninguém conhecer a fundo a minha alma, o meu ser, a minha essência, minha vulnerabilidade etc. “Mas isso é bom Alê!” — disse a amiga que quer namorar, mas tem medo de se decepcionar — exato, isso é bom para quem não quer se decepcionar, mas ao mesmo tempo não quer correr riscos e abaixar as barreiras para conhecer melhor o outro e mostrar o seu “real eu”.

Então? Então resolvi abaixar a guarda essa semana e dei a oportunidade de mostrar a essência do Alê e conhecer a essência da outra pessoa (pelo menos a que ela passa ser).

E aí? E aí que deu close errado (pelo menos agora estou dando close errado)!

Como assim? As neuras começam… Mas será que gosta de mim? Será que infla meu ego apenas por inflar (logo eu, leonino)? Será que fala com todos ao mesmo tempo? Será que será? Será? Será?

Visualiza perfil no facebook — 2 minutos depois –, visualiza o perfil no instagram — 1 minuto depois –, visualiza whatsapp — “visto pela última vez às…” é desativado, uffa — uffa nada, essa p@$#% tá online e não veio falar comigo…

Espero 10 minutos depois — online ainda –, espero 40 minutos depois — online ainda –, espero 1 hora e 30 minutos depois — online ainda -, 2 horas depois — tá, agora é sacanagem, online ainda? Sim, online ainda –.

O que fazer? O que esperar? O que dizer? Nada, você não tem nada com ninguém. É apenas mais uma pessoa que você conheceu em um app fadado à proporcionar as diversas experiências na face da Terra pelas quais os seres humanos buscam (amor, amizade, relacionamento aberto, sexo, paixão, profissional etc.). Você não faz nada, espera a outra pessoa vir falar com você; afinal você mandou mensagem para ela há quase 3 horas e nada…

Espero, espero, espero e: “oi lindo” — aparece na tela –; “você não vai acreditar…” — continua a cara de pau –; “estou com 5% de bateria agora porque meu celular só trava quando eu forço. E adivinha?” — só leio, não falo nada –; “adivinha lindo” — insiste a criatura — ; “hmmm” — respondo eu, querendo pular do 5º andar do prédio onde trabalho –; “deixei desbloqueado e dormi… e a bateria acabou de vez!”.

O que fazer caro/cara leitor/leitora (vulgo eu). Acreditar e seguir em frente? Fingir que acredita e seguir em frente? Não acreditar e colocar os dois pés atrás com precaução?

Pode perguntar para os universitários? NÃO, NÃO PODE!

Resposta simples, fofa, direta e verdadeira: segue teu coração. Segue tua intuição. Esteja vulnerável. Aprenda com a vida. Confie nas pessoas. Decepcione-se. Confie nas pessoas. Ganhe um amigo sem decepção.

A vida me mostra a cada dia o poder da vulnerabilidade, mostra-me como sou capaz de amadurecer todo dia de uma maneira diferente quando abaixo as barreiras e mostro para o quê vim ao mundo, mostro qual é a minha essência mais pura e me disponibilizo em me diminuir para que o outro cresça (caritas, caridade, amor, agápe).