Intimidade é uma merda, mas amor é sorte.

Rosa e roberto eram um daqueles casais bonitos. Ela vestia PP, engraçada e era mais doce e cheia de amor do que aquele pudim de domingo. Roberto parecia um trator, mas por dentro era gelatina. Era bem terno com todos ao redor e tinha um gosto variado na música. Isso se tornou uma coisa comum entre eles, a música. Era de tudo quanto é tipo e pra todos os gostos, assim ficando cada vez mais completos e ecléticos. Certo dia, Rosa achou um evento bem foda. Um tributo a Nina Simone, uma das cantoras que admirava e conhecia a grade história vivida. Roberto ouvia de tudo e já havia mergulhado no jazz durante um tempo, e sabia muito bem da potência daquela cantora. 
- Ai, queria ir, vamos ? 
- Orras, puta show, vamos sim !
Roberto só recebeu naquela tarde o comprovante dos ingressos e duas músicas que Rosa ansiava ouvir naquele tributo.

Dada as circunstâncias, o grande dia chegou. Rosa era daquelas muito bem organizada e odiava atrasos. Roberto era daqueles que trabalhava feito louco até altas horas a perder de vista, mas naquela sexta disse a si mesmo: Soldado que marcha na frente do quartel, está pedindo guarda. Fuja o mais rápido que puder e vá viver esse baita dia. 
Pegou ela no trabalho e foram rumo a sua casa. Chegaram as 20 horas e o show só começava lá pelas 22:30. 
- Ta com fome ? 
- Ah, nem tanto, mas vamos comer antes porque vai dar fome. 
- Maravilha ! Meia portuguesa e meia toscana, tudo sem cebola
- Pede uma com pra você comer cebola, você gosta. 
- Eu não ! se não você deixa de comer e nem me beija mais. 
- Nisso você tem total razão. 
Pediram e comeram, e ficaram ali na varanda fazendo hora até o horário do show chegar. Vamos ? Vamos ! e atravessaram aquela cidade cinza rumo ao tributo.

Já no show, acontecia um grande atraso e todos já reclamavam. Vira e mexe, alguém dava as caras lá e dizia: "galera, o show começa jaja, estamos apenas fazendo alguns ajustes" e nesse meio tempo o pessoal se abastecia com cerveja e bons drinks. Roberto e Rosa já estavam na segunda cerveja, quando ele quis ir fumar e ela o acompanhou. Voltaram e 5 minutos depois começou aquele showzaço.

Um vozeirão, um piano que chorava bonito e uma banda alinhada. De repente, começa. No fim da primeira música, Roberto sentia algo que parecia um alien se mexendo dentro dele. Quase que um embrião se formando. Pensou "Bicho, segura ai e finge que não é nada, não vai durar muito". No fim da segunda, era a música dela e ela cochichava vários fatos da Nina pra ele. Ele já se via ali impaciente e tentando se acalmar de qualquer forma. Tentava aliviar de pé, esquecendo, mas não funcionava.

No meio da terceira música, disse: vou no banheiro, já volto. E saiu rezando para que fosse aquele oasis feito shopping, com cheirinho de campo e papel á vontade. Coitado ! Encontrou uma única cabine, sem papel e irrigada daquele líquido amarelo na borda. Tentou se posicionar pra ver se segurava a porta com a perna ou se achava qualquer tipo de papel. PUTA QUE PARIU ! Nada daquilo dava pra ser feito e voltou tentando manter compostura.

A cada nota que tocava, o estômago chorava mais que a guitarra do BBKing e falava: vai rápido amigo ou vou fuder sua noite. No fim dessa música, disse a si próprio: E agora Roberto, qual a chance ? O que você faz ? Pra onde vai ?. Já havia perdido o foco com o último acorde da banda e não ouvia mais nada, além de sua consciência tentando achar a melhor solução e que ela não percebesse.

Terminou outra música, e ele branco e suando frio, disse: 
- Rosa, vamos embora
- Como assim ? 
Puxava ela em direção a porta. 
- Roberto, o que ta acontecendo ? Me fala !
- Te conto no caminho, mas vamos rápido.

Pegou o carro no estacionamento, e Roberto saiu cantando pneu e desesperado. Ele tinha que falar. E disse, falando que era algo que precisava sair o quanto antes e não podia esperar, tipo o temer quando queria a dilma fora !. Acho que você percebeu, e quando a Rosa também, ela não parava de rir. Aqueles 15 minutos no carro rolava o maior mix de sentimentos pro Roberto. Chorava de rir junto com ela, mas se controlava porque, né ! Sentia aquela vergonha de querer sumir da face da terra. Entendeu que ali do seu lado tinha uma parceira que entendia ele e ria das desgraças alheia, mas mais feliz ainda ficou quando viu aquele portão do condomínio se abrir. O elevador parecia um confinamento e Rosa não segurava o riso e perguntava se estava tudo bem no meio das gargalhadas.

Após uma jornada de 3 horas de banheiro, barulhos estranhos, cheiro ruim e aquele banho bem tomado, ele á encontrou no quarto. Sentia-se mal, com dor no estômago e virou uma daquelas doses prontas de Eparema. Rosa ainda não se continha com a situação e o abraçou assim que ele se deitou. Ria e falava que nunca havia vivido uma história tão bizarra na vida. 
- Roberto, você é uma figura e ainda não acredito no que aconteceu. 
- Ah Rosa, aconteceu e eu ia fazer o que ? Tomei a decisão mais prática e rápida. 
Riram juntos e ele se inclinou para beija-la. 
- Credo Roberto, que gosto horrível. 
Ele alcançou uma pastilha Garoto de menta no criado mudo, triturou-a feito um T-Rex e a beijou de novo. Cobriu-a com mais uns beijos, protegeu do frio com aquele cobertor e se encaixou ali. Ouviu um "seu fofo" e desmaiou onde queria. E muito aliviado, claro.

Lembre-se: Intimidade é uma merda, mas amor é sorte !