A Força Para Ser Feliz

Porque somos melhores que nossos problemas, mas só o somos porque temos um ao outro. Somos especiais não porque Deus nos apontou como tal, mas porque ele apontou quem deveria estar ao nosso lado e nos fazer especiais.

Você acorda. Você levanta, as vezes forçado pelo horário, pelo telefone de alguém chato te acordando ou pelas obrigações que a vida jogou em seu caminho. A vontade de levantar raramente tá lá. Não porque sua vida não tem coisas boas, mas é que a gente sabe como só prestar atenção nas ruins e querer fugir delas. E tem fuga melhor do que aquela na nossa cama? Você olha pra ela novamente. Não, você tem que ir.

Você toma seu banho, lutando consigo mesmo sobre lavar o cabelo, sobre quanto tempo demorar no banho e se não tem algum jeito de você ligar e falar que tá doente. Você pensa um pouco sobre a lista imensa de obrigações que tens em frente e se questiona se vale a pena. Mas o relógio diz que você nem pode mais pensar, o peso da vida adulta começa a lhe empurrar em direção as obrigações que você queria não precisar cumprir.

Se arrumar ou não se arrumar, o que comer, tantas questões flutuam por seus pensamentos, como você chegou nesse ponto? “Não crescemos todos pra sermos especiais?”, você se pergunta. Será que no fim das contas eu cresci com mentiras? Será que eu sou… só mais um? Cadê aquele plano especial que tinham pra mim, será que ele ainda demora muito? Você se arruma um pouco pra se sentir melhor e se junta ao mar de gente que caminha para o que todos não queremos: a obrigação.

Todos lutamos, aspiramos por ter tão pouco. Afinal, não queremos só ser felizes? Sermos respeitados, admirados? Só queremos ser especiais, sermos algo além do que vemos aos montes nas ruas, não queremos ser mais um, queremos ser “o”. Mas o que “ser especial”? Termo tão presunçoso, que nos leva a crer que estamos “por cima da carne seca”, parece até que a gente tá se achando.

Mas somos especiais, afinal. Veja bem, o simples fato de querermos ser felizes e lutar por isso já nos torna um pouco diferente de tantos outros que só entregam suas vidas ao léu e deixam se levar pelos vendavais da vida, como uma folha de uma árvore qualquer no outono. Claro, nem sempre tomamos as decisões corretas, mesmo quando sabemos que o primeiro para sermos felizes pro resto de nossas vidas tá ali, na nossa frente, o tempo todo.

As vezes damos, sim, passos errados. Errar é humano, diz um dos ditados mais cansados e verdadeiros que sua avó ou sua mãe te disseram e continuam repetindo sempre que você tá triste, mesmo que elas não saibam o motivo. Mas somos boas pessoas, erramos querendo acertar, erramos querendo, sim, ser e fazer os outros felizes. Erramos porque seria tão sem graça viver a vida perfeitamente, perderíamos as coisas boas.

Perderíamos a diversão que temos em nos apoiar um no outro quando passamos por momentos ruins, perderíamos a felicidade de celebrar cada sucesso, já que, caso perfeitos fôssemos, eles seriam tão comuns que perderíam o sabor. Não precisaríamos de nossos pares, não precisariamos de nossos amigos. Perderíamos o respeito pelo outro e de que adianta viver se não se respeita a ninguém e não se é respeitado?

Nos colocamos em situações ruins, é claro. Lutamos tão cegamente para realizar um sonho que não percebemos que, talvez, não estejamos na melhor das situações para vivê-lo. Nos entregamos a uma situação com medo de questionar se ela é, de fato, a mais propensa, mesmo quando nos apontam que existem pontos importantes a serem levados em consideração naquela busca por sermos felizes.

Ou não nos entregamos a algo por medo de machucar, por medo de ferir quem nos importa e continuamos a adiar a felicidade, pelo medo que não devemos ter, pelo medo de ser feliz e de fazer alguém feliz. Pelo receio de que precisamos pensar demais no que nosso coração e nossa cabeça já vão nos levando a fazer, mesmo que relutemos em admitir que é exatamente o caminho que estamos trilhando.

Mas não somos assim. Nós somos especiais! Grita aquele jovem rapaz que finalmente acordou e passou a lutar por tudo aquilo que sempre sonhou. Nós somos o futuro da nação, e, desculpa, mas não, não somos a geração coca-cola, somos espertos e sabemos que ela faz mais e vamos em frente rumo a uma vida fitness e saudável ao lado de quem amamos. Mesmo que alguns acidentes e tentativas de destruir o asfalto com nossos joelhos aconteçam.

Lutemos! Pela nossa felicidade. Pelo que queremos. Pelo direito, intrínseco a natureza humana ou qualquer outra conversa existencialista que tu tenhas ouvido no primeiro semestre do curso de direito ou naquela aula de Constitucional em que você dormiu, de sermos felizes, de termos o respeito de nos outros, mas lutemos pelo direito de nos respeitarmos e nos fazermos felizes, porque não adianta esperar dos outros o que não nos damos.

Amemos! Porque é disso que a vida é de fato feita. De amor, de força, de companheirismo e de amizade. Porque é daí que nos tornamos especiais. Não pela nossa habilidade de conversar muito até conseguirmos o queremos ou de escrever palavras bonitas e que deixam os outros estupefatos. Mas pela capacidade que temos de fazer aquele alguém sorrir, de, no fim das contas, olhar e ver que, não importa o quão difícil aquela situação que você se encontra seja, você tem alguém que lhe pegará pela mão e lhe tirará daquilo. Mesmo que na força e com muita bronca.

Sejamos felizes! Ao lado de nossos amigos, de quem, mesmo que erre conosco, porque errar é, sim, humano, nos ama, nos respeita e quer sempre o nosso bem. Porque são essas as pessoas que merecem o nosso abraço. Que merecem que, quando olhamos de volta pra cama ou queremos uma desculpa pra não levantar, esqueçamos esses pensamentos, lavemos o rosto e continuemos em frente, em busca de dias melhores.

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