Love is Fiction

Ela agora entendia porque, mesmo quando ele olhara enquanto ela dançava, quando ele ouvira que ela havia se entregado a outros beijos, mesmo que só houvesse encontrado paz no carinho dele, que ela se sentisse insegura por parecer mais experiente que ele… Ela finalmente entendia o porque ele dizia não se importar com isso, que ela só precisava voltar pra ele quando se sentisse pronta para tudo o que ele poderia oferecê-la. Ela finalmente se lembrou de que, algumas vezes, a ficção é baseada em fatos reais.

O amor é uma ficção. Ninguém a havia dito isso. Aquela garota aprendeu as duras penas que a maior verdade da vida é essa. O amor é uma mentira. Que motivo ela tinha para acreditar em algo diferente? Ela havia passado por tantas desilusões, de paixonites nunca correspondidas a relacionamentos fracassados, que ela simplesmente passou a ter essa afirmação como uma verdade científica irrefutável.

Ela sonhava com casamento quando era uma garota. Ela imaginava o príncipe encantado que seria o homem de sua vida. A cada beijo, cada nova paquera, novo ficante ou novo namorado, ela esperava por um sinal de aquele seria o homem certo. As dores que seu coração passou a cada nova decepção foram suficientes para fazê-la temer que um dia isso acontecesse.

Mas… E se aquilo um dia acontecesse? Se o mítico destino, que Deus tanto guardara para ela, resolvesse pregar uma peça e, logo após a maior de todas essas decepções, logo quando o medo finalmente tomou conta do seu coração e a fez se blindar do mundo, alguém que há tanto tempo caminhava ao seu lado se revelasse como ele. O tão sonhado e esperado rapaz.

E se todo o sofrimento pelo qual ela passou a colocassem numa situação em que cada palavra, cada ação parecessem destinadas a ferí-lo e, na cabeça dela, fosse só uma questão de tempo até ele desistir dela? Se ela achasse que, no fundo, o melhor para ele fosse encontrar alguém que de fato merecesse que ele fizesse tudo que ele fazia por ela?

Ela se sentia abençoada com tudo o que ele significava, com as palavras de carinho em todas as manhãs, as brincadeiras e a mania que ele tinha de fazê-la sempre sorrir, não importando a situação. Ele era uma luz num momento difícil, a resposta pras questões mais complicadas da vida dela, a força que ela sonhara nos momentos de fraqueza…a harmonia da música da vida dela.

Ele era estranho. Falava sobre como eles haviam construído toda uma história juntos desde o momento em que trocaram o primeiro olhar, sobre como ela era um anjo de jeans, que ele tinha certeza que eles não haviam se encontrado por acidente. Que ele se sentia tão feliz de se apoiar nela e que sempre estaria ao lado dela e que se sentia como um garoto vivendo um romance de conto de fadas.

Ele as vezes parecia tão arrogante, falando do quanto ele era isso ou aquilo, sempre em tom de brincadeira, do quanto ela tinha sorte de tê-lo e tudo o que ela conseguia responder era “se acha”, tudo porque não queria concordar, mesmo sabendo que ele tinha razão em muitas das baboseiras que ele soltava.

A cada novo dia ela se via mais envolvida, pensando em como, mesmo com os defeitos, com os erros dele que a faziam querer se afastar, ela percebia que chegava a hora em que eles poderiam deixar de ser só um refrão, um pequeno trecho na vida do outro e ser uma canção inteira, abraçar o risco de ser o que de melhor os dois poderiam viver, um sonho que se tornava cada vez mais real, se mostrava cada vez mais possível.

Ela ia aos poucos se encantando pelas coisinhas dele. A maneira como ele a olhava cantar, o quanto se envolvia na magia que era ouvir a voz dela ecoando e abençoando o local em que estavam, o quanto ele tava sempre disposto a dançar e a segui-la nas loucuras que ela inventava, o quanto ele lutava para esconder a necessidade que havia dentro dele de tê-la, de beijá-la e de sentir o que eles construíam, mas só ela conseguia ver por trás dos sorrisos e piadas.

Ela o sentia perder o fôlego enquanto observava ela dançar, ele passava um tom de segurança sobre eles, mesmo quando por dentro se mordia de ciúmes, não importava o quanto ela descesse até o chão e provocasse, ele parecia feliz em saber que o mundo todo olhava para o que só ele poderia ter, ela não sabia como lidar com isso, tão acostumada com ciúmes e ele só parecia alegre de vê-la se divertindo. Vendo-a bêbada de música.

Eram os momentos em que o mundo parecia deixar de existir. Em que eles não conseguiam tirar os olhos um do outro, como se ambos brilhassem em meio a multidão, enebriados pela toque da canção, se movendo num ritmo unico, como dois loucos, vivendo naquele momento, num ritmo só deles.

Foram incontáveis as horas em que os dois se perderam, ao longo de cada passo para se entregarem aos seus braços, perdidos no olhar do outro, num transe maluco causado por um sorriso, como dois viciados em busca do carinho e do calor dos braços do outro, da segurança que só haviam sentido no outro.

Era como se os pés dos dois parassem de tocar o chão, como se tivessem deixado de caminhar a esmo, pelas ruas de sofrimento e dor e aprendizado que os seus caminhos anteriores haviam sido e tivessem ido para o espaço, se perdido naquele momento que jamais sairia da mente dos dois.

O primeiro beijo que fora como se ambos tivessem viajado por galáxias, por todos os mundos mágicos das histórias da infância, aquele momento que o chão pareceu deixar de existir e só haviam os dois, os seus respectivos abraços e o toque daqueles lábios tão sonhados.