O fim inevitável

Me perco nesse devaneio que minha mente faz, divagando entre o que éramos e o que não somos mais. Às vezes me pergunto aonde te perdi e aonde posso te reencontrar, mas no fundo eu sei que tudo ficou pra trás, já não há mais futuro pra nós dois, nunca houve, eu só quis acreditar no nosso melhor, mas quem conheceu sempre soube éramos o oposto de tudo, até parecíamos de mundos diferentes, a tal ponto que criamos um mundo só nosso que ninguém nunca entrou, alguns tentaram entender pelas cartas de amor que publiquei pra você em retalhos pelos outdoors da vida, mas nunca ninguém soube como era nossa rotina, acordar e dormir nessa agonia de te ter e te perder todo dia, porque nunca me pertenceu por completo e nunca me pertenceria, até porque não pertencemos a ninguém, muitas vezes não pertencemos nem a nossa própria vida.

Mas eu gostava da ilusão do nosso caso, de me esconder em teu abraço, gostava do ruído do teu sorriso, de me aquecer em teu colo nas noites de frio. Gostava de sonhar com uma casa pra gente morar, criar nossos afetos e nos apaixonar por nossos mundos tão distintos, tão paralelos, gostava de imaginar que um dia as nossas diferenças iriam se entrelaçar e nada mais, nada além nos impediriam de sermos o melhor pra nós dois.

Mas a vida não se constrói do que idealizamos, e sim do que consolidamos no dia-a-dia, das decepções e realizações na vida. E para um amor durar só há uma saída: pelo perdão, porque perfeitos nunca fomos e nunca seremos.

Às vezes dói pensar que já não poderemos nos amar, às vezes gostaria de ser mais forte pra seguir em frente sem me importar, mas talvez eu esteja sendo forte demais em cuidar de você todo dia sem nada receber, porque o amor nos apronta dessas, ele é unilateral, mas o contato só deve continuar enquanto não nos fizer mal.

Sempre fui de amar demais, isso sempre me fez sorrir e chorar, mas nunca ninguém me fez amar como você, amor de uma vida que acabou antes do fim, porque se assim não fosse não teríamos porque sofrer tanto.

-AOQ.