Chico Bento: Arvorada

A belíssima capa. O título é uma brincadeira com o significado da palavra e a forma caipira de falar.

Chico Bento sempre foi um dos personagens favoritos da molecada. Seja por seu jeitão simples, sua fala engraçada, sua ingenuidade (tipicamente infantil e gostosa de ler), suas aventuras no campo (pescando, correndo de onça ou simplesmente se arriscando em roubar goiaba do pé), os “causos” envolvendo figuras típicas do folclore brasileiro, ou mesmo seus problemas recorrentes com a escola, o caipira sempre se destacou tal qual os quatro protagonistas do bairro do Limoeiro, garantindo título próprio e,claro, um lugar “especiar” na fantástica coleção de graphic novels da turminha, a Graphic MSP.

Em sua primeira aventura, Pavor Espaciar, Chico recebeu visitantes de outro planeta num típico caso da roça.

Gustavo Duarte (autor de Có!) foi o responsável pela primeira aventura de Chico nessa nova linha de revistas. Lançada em 2015, Pavor Espaciar foi a 3ª edição dessa coleção (mais uma prova do carisma do personagem), e contava um “causo” de outro mundo com muita aventura e humor. Agora, dois anos depois de sua estréia nesse novo selo, chega às bancas o segundo volume deste selo protagonizada por Chico: Arvorada.

Chico e importante árvore da história pela primeira vez sob o traço de Orlandeli.

Dessa vez sob responsabilidade de Orlandeli (caipira como Maurício de Sousa) Chico ganha um conto mais intimista, ainda com o humor clássico e preciso do personagem, mas com um toque de emoção que a primeira história “carecia”. A começar pelo título, uma brincadeira de palavras que une o florescer de um Ipê Amarelo (personagem importante na obra) com a forma caipira de falar alvorada (que traz, além do sol, a esperança de um dia melhor). Toda essa dose de emoção é exposta muito bem pelo autor em seus belíssimos quadros que, além de terem um estilo único, se mesclam com a narrativa proporcionando uma leitura mais dinâmica e interessante.

A sabedoria de Vó Dita. Parte crucial da trama e pro amadurecimento de Chico.

A outra parte emotiva de Arvorada fica por conta de Vó Dita. Criada por Maurício com base na sua vó Dita a personagem é antiga nas revistas de Chico Bento, sempre com boas histórias e causos. Aqui ela é responsável pelo amadurecimento do menino que, por causa de um arrependimento simples, passa a enxergar o mundo de outra forma, uma tão bonita quanto os quadros que se encontra. É dentro desses pensamentos tambem que Orlandeli aproveita uma história que quase ninguem conhece (ou se lembra) sobre a irmãzinha que Chico perdeu, dando mais peso e dramaticidade à obra.

O aprendizado às vezes vem com um pouco de dor.

Chico Bento: Arvorada é um novo olhar na vida do personagem e tal qual Lições ou Força (ambas histórias da mesma coleção) trata de assuntos mais complicados, indo além da aventura infantil que estamos acostumados a ler nas histórias da turminha. Essa é a beleza desse selo, proporcionar esses olhares distintos e sempre tão competentes a personagens que fazem parte da nossa história. Como sempre, mais um acerto.

Arvorada: Mais um belo acerto da coleção.
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