AO MEU AMIGO PEDRO

Não. Definitivamente, eu não estava curado. Deveria ter ido dormir, mas caí na besteira de sair procurando as pessoas no google. Vício terrível, cognoscível apenas para os que compartilham deste hábito. Mas, na verdade, há muito não o fazia. Este foi o erro. A doença, porém, não era sair abrindo e fechando links. Era pensar nela.

Por vezes fora quase compulsivo. Me esforçava com todas as forças para não fazê-lo e pum! Lá estava a danada no meu pensamento, docemente me envenenando, encantadoramente me aterrorizando. Até quando estava com a…? Sim, até quando estava com… Era um vício! Mas decidi encará-lo.

O primeiro passo era escrever sobre. Relutei, com medo de me entregar. Só tomei a decisão quando percebi não ter superado. Que foto era aquela?! Dane-se o que tinha ao redor. Quer dizer, até procurei. Não interessou. A graça estava toda reunida nela, no canto superior esquerdo da tela. Como o meu coração. Ao menos por uma fração de tempo…

https://www.youtube.com/watch?v=pBCt5nfsZ30

Era dela? É meu? Melhor seria ser Prometeu. E viver acorrentado? No room for doubt. Viver é perigoso, sim senhor. Quando sabemos se correntes invisíveis nos prendem? Sabemos não. É tiro no escuro. Feito Prometeu, pelo menos saberia o instante em que levaria a próxima dor. Não haveria espanto. A vida não é isso? Mas não queria mais tê-los. É coisa de quem não evoluiu o bastante para conhecer mais e melhor a si mesmo e ao redor. Sou orgulhoso, mas admitir isso é integridade, Pedro.

Eu, que não sou rocha, acho que construí muitos castelos na areia. Ao abrir aquele link, um deles balançou. Que raios! Já se passou tanto tempo… Não sei se fiz a melhor escolha. Evito pensar. Achava que já estava curado. Hei de.