O Homem como prisioneiro de si mesmo

Entre formas e imagens o mundo é construído conforme a nossa idealização de vida, mas também há quem diga que estamos cercados como em milharal que aparentemente não tem fim. Daqueles que sugam toda a nossa energia e nunca encontramos o verdadeiro caminho. Debaixo do sol escaldante causando exaustão e feridas por todo o corpo. As mãos e os pés calejados por tamanha repetição de movimentos, se rasgando conforme desvia-se dos milhos e da terra quente.

Quanto ao outro lado, o da idealização, pode-se tomar como um cenário paradisíaco onde tudo torna-se excitante demais a ser explorado. Mas ele pode ser o indício de uma jornada sem volta ao milharal.

O homem pode se tornar o prisioneiro de si, enquanto sua realidade se torna uma verdade absoluta em seu universo. O que eu quero dizer com isso? A sociedade procura não assimilar o que está ao seu redor, levando em conta a frequência com que vivem na indiferença e visões totalmente distorcidas, pessoas consideradas como politizadas que geram atitudes sórdidas onde a sua própria sombra parece ser um lugar seguro no meio de toda imensidão que estamos situados.

Dentro dessa análise, Platão nos concedeu um mito chamado “Alegoria da caverna”, também identificada como “A Caverna de Platão” que em sua obra “A República” o filósofo exprime sobre o ser humano estar preso a suas próprias projeções que foram formadas pelo social e cultural, procurando não se abrir para o mundo exterior e caso contrário ele julga e ridiculariza. E isso é possível identificar nos dias de hoje, como o conservadorismo que limita muitos avanços da sociedade em larga escala. Ainda retratando do mito, se o homem se soltar dessas correntes sairá da “Caverna de Platão” e perceberá o quanto a vida pode ser explorada e compreendida dentro de sua diversidade e atingindo o bem maior. Obviamente será julgado pelos outros ainda presos na caverna iniciando-se um ciclo.

Quem se deixa levar por aparências corre o risco em se perder no milharal, e quem adia o seu lado humano despencará o céu do paraíso em sua própria cabeça. A frustração. O fato é que a verdade é extremamente dolorosa. Muitos podem não suportá-la. Muitos podem não sobreviver à ela. Mas é essencial inteirar-se. Não posso alegar que a conheço, mas se a busco é um sinal de que não admito me aprisionar nas minhas próprias mentiras porque afinal ela nos retém de uma maneira que a vida pode-se tornar ominosa e perder a logicidade, como se desintegrasse em partículas jogadas ao mar tornando-as impossível de se fundir novamente.

O labirinto da alma não é predominantemente um jogo a ser decifrado, mas um aliado à humanidade que cada vez mais parece estar distante e desinteressada em ser essencialmente humana.