Nós, os introspectivos

Nunca gostei de esportes coletivos. E sempre era a última a ser escalada pro time na escola. E só era chamada porque todos eram obrigados a jogar. As crianças adoravam. Eu torcia em silêncio pra chover e não ter educação física. Às vezes chorava em quadra sem ninguém perceber por ser obrigada a participar. Me sentia “violentada” em estar ali.

Mas no dia em que aprendi a teoria do nado de peito, com oito anos de idade, o professor pediu a todos os alunos que saíssem da piscina pra me ver nadar. Disse que meus movimentos eram perfeitos e perguntou se eu já nadara antes. Foi assim na natação, no kung-fu e na yoga. Não sei jogar em grupo, mas me destaco nos esportes individuais.

Sou assim. Não sinto tesão em competir com os outros. Não me preocupo com o que fazem de certo ou errado, se jogam bem ou mal. Não olho pros lados pra observar o comportamento alheio. Mas busco dar o melhor de mim em cada movimento meu.

Me acanho nos esportes coletivos como na vida em grupo. Podem me chamar de antisocial, estranha, esquisita… Sou tímida e sou tudo isso aí também. Mas não é só isso. É que tenho meu próprio mundo. E ainda há tantos tijolos nele para construir que uma vida inteira não será suficiente…

Meu mundinho interno sempre foi muito maior que esse mundão todo ao meu redor. Gosto da vida caseira e em família. E na rua, há sempre alguém ali, chorando em silêncio, passando por um momento difícil ou necessitando de um sorriso, um abraço, uma palavra, uma companhia.

Então há sempre alguém pra quem o meu mundinho é feliz em se abrir e ajudar. Assim, meu jardim é repleto de flores, borboletas e amigos, MEUS ANJOS de carne e osso. Há sempre muita vida pousando na minha vidinha. E muitos outros mundinhos que estou sempre a visitar.

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