Meu primeiro voto

Como me senti na primeira eleição da qual fiz parte e alguns pensamentos sobre o eleitor brasileiro.






Ontem, dia 5 de outubro, votei pela primeira vez. Dizem que jovem tem um espírito de mudança e foi isso que eu senti quando estava em frente a urna. Senti que eu poderia mudar alguma coisa no meu país e que estava consciente da minha escolha, tinha lido e pesquisado informações o suficiente sobre os candidatos e lá coloquei quem eu achava que eram os melhores.

Nenhum dos candidatos que escolhi foi eleito. E está tudo bem com isso, fazemos parte de uma democracia, afinal. Mas tenho certeza que muitos leram essa frase e pensaram “Votei melhor que você! Os meus candidatos se elegeram. Ganhei!”

Essa postura me entristece. Para muitos, as eleições são tratadas como um jogo. O grande objetivo do primeiro turno é desperdiçado quando deixamos de votar nas ideias que acreditamos que sejam valiosas. É comum que escolham “o menos pior” e depois reclamem que não havia nenhuma opção satisfatória. O argumento costuma ser o mesmo: “Ah, mas se eu votar nesse daí, vou jogar meu voto fora!” e é por isso mesmo que estamos sempre jogando nossos votos no lixo.

O problema não está apenas naqueles que defendem “os que estão na frente na pesquisa”. Aqueles que defendem bandeiras isoladas, costumam não perceber o que há além. Dou um exemplo: eleitores da Luciana Genro. A maioria são jovens e se apoiam nas ideias sobre o casamento civil igualitário e a legalização do aborto. No meio dessa empolgação de defender minorias, esquecem que verificar as outras propostas da candidata. Esquecem de pensar sobre os seus projetos para a economia, esquecem de analisar se o plano de governo é viável.

Agravando a situação, os brasileiros não dão atenção o suficiente para os senadores e deputados. O debate entre presidentes é muito mais privilegiado pela mídia, mas sabemos que o legislativo tem um poder de mudança muito maior. No entanto, continuamos a eleger os mesmos de sempre, apesar de reivindicarmos mudanças imediatas. Isso vale para aqueles que defendem direitos de minorias: Luciana Genro recebeu 1 milhão e 612 mil votos, mas o PSOL elegeu apenas 5 deputados federais. A exposição é diferente, mas o eleitor precisa ir atrás das informações sobre aqueles que atendem suas expectativas. Muitos direitos podem ser alcançados com a presença maior no Congresso.

Infográfico do Estadão mostra informações sobre deputados eleitos. Apenas cinco deles são do PSOL.

Para efeito de comparação, Celso Russomano, candidato a deputado federal em São Paulo, atingiu um número semelhante ao da presidenciável: foram pouco mais de 1 milhão e 500 mil votos. Pelo coeficiente eleitoral, conseguiu vagas na Câmara para outros quatro correligionários e ajudou o PRB a eleger um total de oito parlamentares no Estado. O PRB, partido de Russomano, fez uma bancada de 21 deputados federais.

Mesmo assim, sinto que a transformação no Brasil está acontecendo aos poucos. É ótimo ver a internet ajudando as pessoas em suas escolhas, me orgulho de ver projetos como a Newsletter Incancelável, o aplicativo Voto x Veto, entre outras iniciativas que tentam tornar a política mais transparente e o voto mais consciente. Talvez ainda falte a educação que nos guie para essa busca das informações concretas e corretas, que permita que as pessoas entendam o que cada proposta significa para sua vida e o que cada poder é capaz de fazer.

A política é muito mais do que esquerda e direita. É muito mais do que o pobre contra o rico.