Carta

Belém, 16 de outubro de 2016

Olá,

escrevo esta carta para demonstrar como tu és importante para mim, como eu ainda nutro um grande respeito e consideração por ti, apesar de achar que isso já não tem mais tanta importância para ti. Não sei quando vais ler estas palavras, não sei nem se um dia chegarás a lê-las, mas saiba que quando eu as escrevi, tinha em meu coração muitas coisas a dizer, mas em minha boca poucas palavras para expressar o que eu sentia.

Desde que eu voltei dos meses que passei em outro país, as coisas têm estado bem embaralhadas em minha cabeça. Na verdade eu quis voltar no tempo e acreditar que as coisas poderiam ser iguais a como foram num passado tão próximo que ainda parecia presente, eu quis que tudo aquilo que tínhamos nos dito, que tudo aquilo que havíamos planejado se tornasse realidade, eu voltei para o nosso país acreditando que poderíamos dar certo juntos, unidos, buscando manter e nutrir aquilo que acreditávamos sentir. Aparentemente esse sentimento foi coisa passageira. Ao que tudo indica, alguns meses longe foram suficientes para que todas as palavras, todos os planos, tudo entre nós fosse esquecido e voltássemos a estaca zero.

Eu mudei, tu também mudaste, mais ainda até do que eu. E eu respeito, compreendo e admiro isso. A nossa evolução, nos mais variados aspectos, é inevitável. Mas o que eu sentia não mudou dentro de mim. Continuo desejando o teu amor, o teu carinho, a tua atenção, como se não houvesse passado nem sequer um dia em que não estivesse perto de ti. Eu acreditei mesmo que o tempo e a distância não apagariam um amor verdadeiro… Mas será que o nosso amor era mesmo verdadeiro?

Eu não quero que penses que essas palavras são de julgamento ou de repreensão, até por que eu sei que essa situação não te causa a mesma aflição que a mim. Quero só que saibas que por trás do meu silêncio existe uma enxurrada de palavras que não sabem como sair para fora; que por trás do meu olhar baixo existe um mundo de vislumbres iludidos de alguém que acreditou, mais uma vez erroneamente, no amor. Não te julgo, não tenho raiva de ti nem te quero mal. Só queria que soubesses que eu te amei e que eu me esforcei ao máximo para ser aquele que poderia estar ao teu lado em todo o tempo. Infelizmente, talvez não seja o tempo de os planos que tínhamos feito juntos se concretizarem.

Eu estou escrevendo para tentar assimilar as mudanças que aconteceram, para me situar em algum lugar nas coisas novas que surgiram enquanto eu estive longe. Eu estou tentando entender o que eu sinto, o que tu sentes. De qualquer maneira, não quero deixar de te agradecer pela tua sinceridade em me dizer que não quer mais estar comigo, mas confesso que preferia uma resposta diferente… mais positiva.

Diante de tudo isso, acho que o que me resta é desistir dessa história que já não tem mais nada a apresentar e seguir em frente, tendo em consciência de que eu tentei continuar, de que eu tentei fazer o meu melhor, e que as coisas não aconteceram por que não tinham que acontecer. Eu não vou mais correr atrás de ti, não vou mais te procurar nem pedir que voltemos ao que vivíamos, por que o que vivemos foi muito bom, mas passou, e eu vou precisar aprender a lidar com isso. Felizmente eu sou um cara forte e vou aguentar.

Se tu leste essa carta até aqui é por que ainda deve restar aí dentro um pouco de interesse pelo que eu senti, apesar de eu não conseguir ver nenhum sinal de consideração nos teus atos. De todo modo, eu te entendo, e vou aprender a conviver com isso. Hoje dói, mas não vai doer pra sempre, isso é um alívio pra mim. Obrigado por estar comigo nos momentos em que eu precisei, perdão pelos momentos em que te fiz sofrer, eu também te perdoo por todas as lágrimas que tu já fizeste com que eu derramasse, certamente nem sabes delas. Espero que sejas muito feliz, onde quer que estejas e para onde vás. Muita sorte, alegria e luz no teu caminho. Adeus.

Carinhosamente,

Amor.