Anos atrás descobri que estava grávida, era então um início de mês de maio, a opção pelo aborto foi feita anteriormente ao exame de farmácia que revelou as duas barras azuis indicando o resultado positivo.

Fui mãe aos 18 anos de idade, amo minha filha, no entanto a experiência de maternidade precoce me fez enxergar claramente que a ilegalidade do aborto é a principal ferramenta de dominação da mulher no mundo. A maternidade é compulsória, ou seja, somos empurradas nessa direção desde a mais tenra idade sendo legalmente vetada a autonomia da nossa capacidade reprodutiva atualmente no Brasil .

Lembro de que assim que descobri essa que foi a minha segunda gravidez comecei a mandar mensagens para amigas próximas atrás do contato de clínicas, de ler relatos sobre a administração de cytotec em foruns on-line, de me assustar com o preço dos procedimentos enquanto a cidade do Rio de Janeiro se erguia em outdoors numa ode as mães de sorriso branco da publicidade. Andando nas ruas me sentia sendo submetida a uma espécie de tortura ao ver as promoções nas vitrines de lojas : corações vermelhos pulsando por todos os lados , pacotes família oferecidos pelas companhias de celular e eletrodomésticos embalados com laços de fita para presente.

A informação estava jogando contra mim , tanto os comercias da TV reiterando a maternidade como o suprassumo da vida na terra como a dificuldade de obtenção de um simples contato -clínicas abrem e fecham de acordo com o ritmo das operações policiais, telefones mudam o tempo todo e os valores dependem do quanto de estrutura e assepsia você vai poder pagar.

O direito a não sermos mães no Brasil é um direito ainda a ser conquistado, precisamos falar sobre aborto.

Experiência de vida essa que se passa muitas vezes de forma completamente velada sendo o meu intento com essa proposta o de atender ligações, e oferecer a escuta durante todo o mês de maio à pessoas que sintam a necessidade de romper com esse silêncio.

Aguardo a sua ligação ,

Aleta

Atendo ligações 24/7
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