Namoro no banquinho

Seu Antunes, 62 anos. Fica sempre sentado no banquinho do ponto, ali na Marginal Tietê. Quando tinha 30, no mesmo banquinho conheceu Dona Julieta, naquele tempo podia chamá-la só de Julieta. Ela era recém formada no magistério. Sempre pegava o ônibus para Jundiaí.Dava aula para crianças pequenas de lá. Julieta tinha 10 anos a menos que Antunes. Ele que trabalhava perto de Campinas, puxou a primeira conversa com a moça tímida. E aquela conversa no banco virou constante. A prosa se estendeu dali e foi para um restaurante, um cinema, um bar, até que ele a pediu em namoro. Mas os pais da moça eram religiosos. Antunes tinha que pedir primeiro a mão dela para o pai. Ao chegar, o pai desaprovou por causa da idade e da profissão do homem, operário de fábrica. Mesmo assim, eles namoravam escondido, iam pra pracinha, para casa de amigos. Um dia o pai descobriu e a mandou morar com a tia, em Araraquara. O pai permitiu que Antunes a levasse para o ponto. Seria o último encontro. Julieta entregou uma carta a ele e pediu para que abrisse só depois que ela fosse embora. O último momento foi inesquecível: as lágrimas de ambas as partes, o abraço, o coração batendo em sincronia. E a última troca de olhares. Antunes abriu a carta e estava escrito que era para ele esperá-la daqui um ano naquele mesmo lugar, que ela faria de tudo para voltar. E foi o que fez. Depois de um ano voltou para o mesmo ponto e sentou no mesmo banco. Ficou o dia inteiro. E ela não apareceu. Tentou contato com amigos. E ninguém mais sabia sobre o seu paradeiro. Tentou mais uns cinco anos e nada. Conheceu Lúcia se casou e tiveram dois filhos. Antunes, agora chamado como Seu Antunes virou viúvo. E nunca se esqueceu de Julieta. Tentou procurá-la depois da morte da esposa, mas desistiu. Mas, ainda tem esperanças. Fica sentado naquele mesmo banco, todos os dias, para esperar o amor da sua vida. E afirma que “ um dia Julieta ainda há de aparecer, viu.

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