Tentando a sorte

Seu Pedro, 58. Veio para São Paulo. Na época tinha 18.Veio de longe. De uma cidade da Bahia. Tinha pouco. Uma sacola plástica com roupas e sobrou 10 reais da passagem. Começou como assistente de pedreiro. Andando pra obra, sempre via um menino sujo e magrinho no farol, pedindo dinheiro. Achava que aquilo não deveria existir naquela cidade, pois era chamada de uma coisa difícil de pronunciar. Grande metrópole. Um dia passando pelo mesmo menino, resolveu dar seu único lanche do dia, uma banana. O menino ficou desconfiado, mas como estava esfomeado, comeu tudo e abriu um sorriso banguela. Conforme o prédio que Seu Pedro trabaLhava foi subindo ele levava maça, mexerica,banana, para o menino. O edifício estava terminado. Pelo bom trabalho dele. Seu Pedro virou pedreiro. Achou que pudesse ajudar ainda mais o menino, que se chamava Daniel. Ao sair da obra foi contar para o Daniel o ocorrido. Ele não estava mais lá. No outro dia, levou uma penca de banana, mas Daniel não apareceu. Não apareceu mais. Passou muitos anos e melhorou a carreira. Seu Pedro agora era mestre de obra. “Aonde será que está o Daniel?” Virou engenheiro civil. Decidiu estudar na época em que ganhava as frutas, ao invés de ficar no farol. Admirava aquele homem sujo de cimento. Queria ser igual a ele. Seu Pedro sem sobrenome foi e é seu herói. Não sabe se já trabalhou ou não com ele em alguma obra. Sua primeira expiração para construir sua vida. Para retribuir a oportunidade que recebeu Daniel nunca deixou de contribuir a comunidade, hoje ajuda a dar comida aos sem teto. E Seu Pedro…também está lá. Toda segunda-feira na praça da Sé.

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