Dória, o (di)gestor público

O prefeito João Dória, que se auto proclama gestor e não político, talvez tenha esquecido de acrescentar “di” à frente de gestor. Dados públicos obtidos pela Rede Brasil Atual demonstram que a prefeitura tem em caixa R$ 11,6 bilhões, enquanto a arrecadação cresceu 3,5% entre Janeiro e junho, comparado ao mesmo período do ano passado o que levanta questionamentos sobre a real necessidade da enormidade de cortes que estão sendo realizados. Para ver a notícia completa da RBA, clique aqui. Por outro lado, justifica-se a falta de investimentos em infraestrutura porque o governo federal não está, de fato, realizando os repasses.
Segundo a RBA, o ex-vereador Odilon Guedes e a própria RBA existe a possibilidade de que Dória esteja fazendo caixa para fazer os investimentos no ano que vem, véspera das eleições a governador e presidente. A se confirmar isso, Dória atestaria que é tão político quanto qualquer outro prefeito e o da pior espécie, o demagogo. Mas o fato até o momento é que não há razões orçamentárias para cortes de custeio, aquele que mantém em funcionamento a máquina pública.
De fato isso não causa estranhamento. Dizer que Dória faz uma boa ou uma má gestão depende do que se considera bom. O que de fato, e penso inegável, que ele tem feito é colocado em prática uma política neoliberal de governo, levado a níveis altíssimos, com a privatização desde o sistema de bilhete único até grandes equipamentos públicos, e pior, com pouca transparência para o público. Isso, penso, na verdade tem muito mais a ver com abrir novas possibilidades para exploração da iniciativa privada do que com a eficiência da iniciativa privada.
Até o momento, a prefeitura anunciou o fechamento de 50 UBSs (Unidades Básicas de Saúde, reduziu o passe livre estudantil, extinguiu 51 linhas de ônibus sem reposição ou reorganização, cortes na merenda escolar, o aumento disfarçado da tarifa de ônibus, congelou o orçamento da educação e saúde em R$2,6 bilhões.
De fato a gestão pública sofre com uma legislação ultrapassada que burocratiza excessivamente os processos, retardando a capacidade de atuação pública. Ainda assim, se há uma avaliação de que a administração pública tem deficiências, a atuação do governo deve ser no sentido de corrigi-las. Ao contrário, ao congelar verbas sem necessidade o prefeito usa sua gestão para provar seu ponto de que a administração pública é ineficiente e justificar seu plano de privatizações. Além disso precariza os serviços, trata o público como privado e atua no sentido de desmonte da administração pública, por isso é um digestor público.