A garota na teia de aranha — David Lagercrantz

Há mais de cinco anos eu não tinha a oportunidade de ler algo novo do universo de Millennium, e por incrível que pareça, só fiquei sabendo da existência desse novo livro alguns dias antes do lançamento. Pensando bem, foi melhor assim, melhor do que passar meses esperando ansiosamente pelo livro e criando expectativas que no final ficariam elevadas à um nível estratosférico.

Confesso que há princípio duvidei de que o livro funcionaria, afinal, não é mais Stieg Larsson escrevendo. O meu medo maior era que a minha personagem de ficção favorita fosse tratada com descaso, ou que ao ser retratada por um outro escritor perdesse tudo aquilo que tinha se tornado com a trilogia original.

Continuar uma obra como essa, de importância gigantesca para a literatura sueca e mundial, não seria nada fácil, mas posso dizer que o resultado alcançado por David Lagercrantz foi bastante satisfatório.

Antes de sua morte, Larsson havia escrito boa parte de um quarto livro, que se encontra de posse de sua companheira. Existe uma disputa entre ela e os parentes de Larsson com relação ao seu legado, e ela decidiu por não deixar que o manuscrito fosse aproveitado.

David, também jornalista, também sueco, escreveu uma trama só dele, sem a ajuda do manuscrito de Larsson, e obteve uma história cheia de personagens interessantes, tramas internacionais, e situações que te deixam com vontade de continuar lendo o livro até o fim de uma única vez.

Como era de se esperar, Lisbeth Salander é peça central da trama, que realmente se desenrola em uma grande teia de aranha. O clima de tensão é constante em uma história que vai de conspirações internacionais, roubos de patentes industriais, crime organizado, o envolvimento de agentes governamentais com esses crimes, e até a questão da Inteligência Artificial. O autor consegue questionar o sentido do desenvolvimento da IA, e que consequências isso traria para a humanidade.

A matemática, se faz presente, como obsessão de Lisbeth desde os primeiros livros, e neste ganha um papel importante para o desenrolar da trama.

Resumidamente, o livro conta a história de um cientista, que decide largar o seu trabalho nos estados unidos e voltar para a Suíça para cuidar do seu filho que possui um retardo no desenvolvimento mental. Mas esse não é o único motivo para ele ter deixado o país, e logo descobrimos que ele possui informações comprometedoras sobre os esquemas de roubo e corrupção que a empresa estava envolvida. Sua vida, e a do seu filho correm perigo.

Mikael, está passando por dificuldade com a revista Millennium, e a sua reputação está sendo posta a prova. Na sua busca por uma história que possa salvá-lo, assim como a revista, ele se depara com a história do cientista, que de primeiro não lhe interessa muito, mas depois de descobrir que Lisbeth provavelmente está envolvida na trama ele decide investigar, então a teia de aranha vai se formando.

Lisbeth, por motivos pessoais, que posteriormente são revelados, descobre segredos guardados na NSA, uma agência de segurança americana, e passa a ser alvo deles, assim como o cientista e o filho.
 
 É interessante descobrir, durante a leitura do livro, mais sobre o passado e a família de Lisbeth. E as consequências depois da morte do seu pai.

A continuação, faz jus ao seus predecessores, mesmo assim, não consigo parar de pensar como essa história poderia ter sido diferente se o próprio Larsson tivesse a oportunidade de a ter escrito.

O livro com certeza será um sucesso de vendas, e provavelmente não fará feia com as críticas. Então ficamos no aguardo de um quinto livro, quem sabe?

Até.


Originally published at smokersoutdoors.blogspot.com.br on February 19, 2016.