A terra inteira e o céu infinito

A terra inteira e o céu infinito foi uma surpresa boa para mim. Sabe aquele livro que você compra para chegar ao valor mínimo do carrinho no site da livraria e não ter que pagar frete? Esse foi um desses casos. Se eu não me engano paguei 9,90 reais, o que era mais barato que o frete.

O livro chegou em casa e dormiu por um bom tempo na minha estante, acredito que por mais de um ano. Até que eu decidi que era hora de ler.

Sem dúvida é o melhor livro que eu li este ano. E este foi o ano que eu acredito ter livro o maior número de livros da minha vida. Mas nenhum deles me passou a tranquilidade, as idéias boas, a compaixão e a identificação que este livro conseguiu passar.

A história é contada em dois momentos diferentes. Um dos momentos é a vida de uma escritora chamada Ruth, que não por acaso é o nome da autora do livro. Podemos dizer que este é um caso de auto-ficção, onde a autora se coloca dentro de sua obra, e de forma magistral.

Logo no início ela encontra na praia uma lancheira de Hello Kitty, e dentro dela um diário e algumas cartas e objetos. As ondas haviam trazido aquilo até ela, e de imediato ela se viu atraída pela escrita de uma menina que se chamava Nao, que escrevia de algum tempo do passado em Tókio. O que nos leva ao nosso segundo momento, que é acompanhar a jovem Nao na sua tentativa de contar uma hístória que a principio não deveria ser sobre ela mesma, mas que a envolve.

Nao está tentando contar a história da sua bisavó, que é uma monja zen-budista de 104 anos. Enquando isso Ruth está tentando descobrir o paradeiro de Nao, se ela ainda está viva e se está bem.

É desta forma que segue o livro. Com capítulos divididos entre as duas. As duas narrativas são extremamente interessantes e de uma certa forma se completam. No fim, você passa a se importar com o desfecho dos dois momentos no tempo.

O livro é cheio de referências budistas, ensinamentos filosóficos, memórias da segunda guerra mundial. Ele lida muito bem com a questão do suicídio, e o que leva as pessoas a cogitarem a possibilidade de se matar. Acabar com a vida antes do tempo certo.

Apesar de muitos dos acontecimentos do livro, principalmente na narrativa sobre Nao, serem pesados, e tristes, acabamos aprendendo muito com eles e refletindo sobre as nossas próprias vidas e prioridades.

Definitivamente é um livro que deve ser lido por todos, em seu tempo. E quando pegarem para ler, não tenham pressa. Esse é um dos ensinamentos que eu vou carregar comigo depois dessa leitura. Não precisamos ter pressa, as coisas acontecem quando e como devem acontecer. Devemos aceitar o nosso tempo e aproveitar da melhor maneira possível. Aprender o máximo que pudermos nessa vida. E partir quando tivermos que partir com a cabeça em paz.

De um ser-tempo que vos fala.

Até.

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Gostaria de deixar um adendo aqui, que não precisa ser lido antes de você ler o livro. Caso queira ler sem nenhum pré-julgamento pare de ler agora e vá comprar a sua cópia.

Se já leu, ou não se importa com isso, continue.

No fim, quando Ruth começa a ter uns sonhos esquisitos que a fazem entrar na história e alterar alguns acontecimentos eu fiquei com a impressão de que ela poderia realmente estar escrevendo o diário de Nao, e a menina não ter existido realmente.

A mãe de Ruth morreu com problemas de memória, talvez a própria Ruth também os tivesse e com isso tenha desenvolvido esta história, sobre essa menina japonesa, para um livro, mas em certos momentos ela não conseguia lembrar disso e passou a acreditar que havia encontrado o livro na praia.

Em um determinado momento ela até comenta sobre o fato de às vezes quando está escrevendo um romance, ela voltava para ler algumas frases e não lembrava de tê-las escrito, como se tivesse surgido ali como mágica.

Isso explicaria o fato de no final ela encontrar as últimas páginas do diário em branco e depois que sonhou as folhas estavam preenchidas até o final.

Enfim, isso é só uma viagem minha. Posso estar completamente errado. Ou não.

Abraços.


Originally published at smokersoutdoors.blogspot.com.br on February 19, 2016.