Vá, coloque um vigia — Harper Lee.

“ A ilha de cada homem, o vigia de cada um, é a sua própria consciência. Não existe essa coisa de consciência coletiva.”

Na continuação do clássico O sol é para todos, Harper Lee consegue ir além do que conhecíamos sobre os seus personagens, e sobre a profundidade dos temas tratados no primeiro livro.

Vá, coloque um vigia traz novamente Scout, agora com seus 26 anos de idade, voltando de Nova York para passar as férias na antiga casa onde morou sua infância toda, e onde ainda vivem seu pai e sua tia. Porém, as férias acabam sendo um pesadelo quando ela descobre que muitas coisas que acreditava serem verdades estão erradas. Scout se vê discordando de seu pai, de Hank, que é seu namorado e provavelmente o homem com que acabaria se casando, e todos na pequena cidade de Maycomb.

O livro nos mostra como as ideias que colocamos na cabeça durante a infância podem estar erradas, e que na verdade as pessoas não são realmente como nós esperávamos que elas fossem. É necessário um amadurecimento, um despertar de uma consciência individual para que o individuo enxergue o seu próprio lugar no mundo, e passe a encará-lo com os próprios méritos e crenças, não mais sendo somente uma sombra daqueles que considerava como um “exemplo a ser seguido”.

Às vezes, pessoas decepcionam pessoas, e isso é normal. Provavelmente aqueles que ficam decepcionados na realidade nunca enxergaram no outro o seu verdadeiro ser. Nós criamos expectativas, colocamos modelos a serem seguidos em um pedestal, como se eles fossem criaturas imaculadas, e esquecemos que todos nós cometemos erros. O amadurecimento está no fato de tomarmos consciência disso e não recuar. Devemos lutar pelos nossos ideais, mesmo que isso nos coloque de encontro com pessoas que amamos. E não é por isso que deixaremos de amá-las.

“É quando estão errados que seus amigos mais precisam de você, e não quando estão certos.”

Vá, coloque um vigia se mostra atual, mesmo tendo sido escrito na década de 50. Talvez pelo fato de falar sobre seres humanos, o que todos nós continuamos sendo, com virtudes e defeitos que provavelmente ficarão conosco enquanto a humanidade existir.

Até.

Alexander.


Originally published at smokersoutdoors.blogspot.com on February 19, 2016.