A lei da reciprocidade

Você deve conhecer a lei da reciprocidade, também conhecida como a regra de ouro, segundo a qual devemos tratar os outros como gostaríamos de ser tratados. Este padrão de conduta caminha junto com o mandamento de amar ao próximo como a nós mesmos. É uma regra um tanto quanto injusta, se você parar para pensar, porque o mais justo seria tratar os outros como os outros nos tratam. Se o outro me tratar bem, eu vou tratá-lo bem; se me tratar mal… bem, você já sabe. No entanto, no Reino de Deus devemos tratar os outros com generosidade, mesmo que os outros não nos tratem da mesma maneira.

“E onde está a reciprocidade nessa história?” você poderia perguntar. “Porque eu deveria tratar o outro da forma como eu gostaria de ser tratado, se o outro não vai me tratar da mesma forma?” Bem, ai é que está. Se você pensa assim, você está olhando a questão do ângulo errado. Devemos tratar as pessoas do jeito que gostaríamos de ser tratado por Deus, não do jeito que gostaríamos de ser tratados por elas, porque afinal é disso que se trata. Precisamos entender que a lei da reciprocidade traça um parâmetro para Deus agir em nossas vidas. Ou seja, somos tratados por Deus, da forma como tratamos os outros.

Veja, por exemplo, a presença da lei da reciprocidade na oração do pai nosso, na parte em que Jesus nos ensina a pedir perdão pelas nossas dívidas, assim como nós perdoamos os nossos devedores. Jesus poderia ter nos ensinado apenas a pedir perdão por nossas dívidas, mas o “assim como” quebra as nossas pernas. “Pra que que fazer comparações? Uma coisa é uma coisa, outra coisa é outra coisa”, alguém poderia dizer. “É porque se perdoarem as ofensas uns dos outros, o Pai também lhes perdoará”, disse Jesus. “Mas se não perdoarem uns aos outros, o Pai não lhes perdoará as ofensas.” Simples assim.

Você consegue ver a gravidade da questão? Jesus nos manda orar pedindo para ser tratado por Deus da forma como tratamos os outros, e nós seremos tratados por Deus da forma como tratamos os outros. “Sejam misericordiosos, assim como Pai de vocês é misericordioso”, disse Jesus, em outra passagem. “Não julguem, e vocês não serão julgados. Não condenem, e não serão condenados. Perdoem, e serão perdoados.” Ou seja, não podemos esperar que Deus haja conosco, de uma forma diferente da que nós agimos com o outro. Você não pode ter um relacionamento com Deus baseado na misericórdia, e um relacionamento com o seu próximo baseado na justiça. Esqueça!

Não se trata de orar com base em méritos, nem de buscar a aprovação de Deus com base na justiça. É exatamente o contrário! Nos nossos relacionamentos diários estamos o tempo todo exigindo justiça contra as pessoas que nos devem, ou que nos ofenderam de alguma forma. A justiça pode estar a nosso favor, nesta questão, mas existem questões maiores em que a justiça está contra nós. O que significa o que o outro nos deve, perto da dívida que nós temos com Deus? Nossa dívida é grande e absolutamente impagável, de modo que o caminho da justiça não é viável para nós. “Ah, você quer justiça contra o seu irmão”, diria Deus. “Ótimo! Vamos todos para o tribunal, porque eu também tenho contas a acertar com você.”

Não, queridos! Devemos fugir a todo custo das garras da justiça e buscar refúgio nos braços da misericórdia, do perdão e da graça; e devemos retribuir tratando os outros da mesma maneira; com misericórdia em vez de juízo, perdão em vez de retaliação e graça em vez de méritos. É um comportamento ofensivo, da nossa parte, negarmos o perdão para o nosso irmão, depois de termos sido perdoados por Deus. “Cancelei toda a sua dívida”, diz o Senhor. “Você não deveria ter tido misericórdia do seu irmão como eu tive de você?” Quando condenamos o nosso irmão, estamos condenando a nós mesmos, e quem age com intolerância afasta a graça para bem longe de si.

Não podemos esperar generosidade, se não formos generosos. “Deem, e lhes sera dado”, disse Jesus. E se você tem fé nas palavras de Jesus, deveria levar a sério esta recomendação. Não se trata de receber primeiro para dar depois, mas de dar primeiro para receber depois. Se você for dar algo, dê com generosidade, “pois a medida que usarem também sera usada para medir vocês.” O Reino de Deus funciona desta forma. Se você der esmolas, receberá esmolas. Se você der roupas rasgadas, receberá roupas rasgadas. A vantagem de sermos generosos com os outros, é que a generosidade de Deus conosco é sempre maior. “Deem, e lhes sera dado. Uma boa medida, calcada, sacudida e transbordante será dada a vocês.”