Nossos dois representantes

Se um morreu por todos,
logo todos morreram.
2 Coríntios 5:14

Esta frase dita pelo apóstolo Paulo é muito importante, porque aborda a possibilidade de alguém fazer algo por todos, de modo que seja como se todos tivessem feito aquilo.

Este não é um conceito alheio à nossa realidade, se considerarmos a forma de governo de nosso país, onde o povo governa por meio de um que os representa. Quando o presidente viaja para outros países, ele não o faz em seu próprio nome, mas sim representando a nação. Quando ele sobe no palanque, para discursar na ONU, as palavras do presidente são recebidas pelo mundo, como sendo as palavras da nação brasileira; como se fosse a palavra de cada um dos seus cidadãos.

Nem sempre a representação é um ato de escolha do representado, pelo contrário, muitas vezes uma pessoa é representada por outra mesmo contra à sua vontade. Veja um exemplo: mesmo que você não tenha votado no atual presidente da república, ele é o seu representante legal perante as outras nações. O presidente representa, inclusive, as crianças, que ainda não contam com a capacidade intelectual necessária para escolher um representante.

O mais importante, do que temos falado até aqui, é que uma pessoa é responsável não apenas pelas suas ações, mas também pelas ações dos seus representantes. Se alguém contrai uma dívida em seu nome, é você quem deverá pagá-la, o que significa que foi você quem a contraiu. Seguindo a lógica do apóstolo Paulo: se alguém fez algo por você, logo foi você quem fez aquilo.

Pois bem, hoje vamos falar sobre dois homens receberam o poder para agir em nosso nome, o primeiro foi Adão e o segundo foi Jesus, o verbo que se fez carne.

A primeira coisa que você precisa saber sobre estes dois homens, é que o primeiro nos representa mesmo contra a nossa vontade, o segundo nos representa se nós aceitarmos a sua representação. Você não precisa fazer nada, para ser representado por Adão: basta ter nascido. Por outro lado, para ser representado por Jesus, você precisa aceitá-lo como Senhor.

Vamos começar falando um pouco sobre Adão, e sobre como ele nos representou. Todos conhecemos a história de Adão e de como ele pecou, transgredindo o mandamento de Deus. Deus foi bem claro sobre a consequência do pecado: era a morte. Adão pecou e morreu, depois de ter vivido uma vida debaixo de maldição. São também consequências do seu pecado: o envelhecimento, as enfermidades e a escravidão do pecado.

Pois bem, todas estas coisas que aconteceram com Adão não teriam qualquer relevância para nós, se não fosse um fato: o pecado de Adão afetou a nós também, e isto ninguém pode negar. Diz a bíblia que por causa do pecado de Adão, nós fomos feitos pecadores; por causa da transgressão de um, todos nós morremos. Se a morte é a consequência do pecado, e todos nós morremos, inclusive os bebês no ventre de suas mães, isto significa que de alguma forma as consequências do pecado de Adão recaíram sobre nós.

Como se explica isto? Por meio da representação. Adão era o nosso representante perante Deus, de modo que as suas ações eram as nossas ações. Vamos recapitular o que aprendemos até aqui: Se alguém fez algo por todos, logo todos fizeram aquilo. Portanto, se um pecou por todos, logo todos pecaram. Se todos pecaram, logo todos devem morrer, porque a morte é a consequência do pecado. Foi o que aconteceu conosco: Adão pecou por nós e nós também pecamos, de modo somos duplamente condenados à morte, primeiramente pelo pecado que nos foi imputado, e também pelos nossos próprios pecados.

É ai que surge a pergunta mais importante: quem nos livrará da condenação a que estamos sujeitos? A resposta: Jesus Cristo. Segundo o texto que lemos no início da mensagem, Jesus morreu por todos. Se a morte é a consequência do pecado, e se Jesus não tinha pecado, logo ele não deveria morrer. De fato, ele não morreu por si mesmo, mas por nós todos, porque assim como Adão tinha o direito de nos representar, a Jesus também lhe foi dado o mesmo direito. Jesus representa todos quanto creem Nele.

Neste ponto, voltamos ao texto tema da mensagem: se um morreu por todos, logo todos morreram. Ou seja, se Jesus morreu por você, logo você morreu, e esta morte de forma alguma é simbólica. Você que pensa que Jesus morreu simbolicamente por você, responda o seguinte: Quando Adão pecou em seu lugar, foi simbolicamente? Quando as pessoas morrem, por causa do pecado é simbolicamente? É evidente que não. Do mesmo modo, a morte de Jesus não foi simbólica, porque ele morreu de fato por nós, logo nós também morremos de fato.

Se você morreu de fato, logo você não pode morrer novamente, porque, segundo a bíblia, ao homem está ordenado morrer apenas uma vez. Isto significa que se você morrer, a morte estará pecando contra aquele que morreu por você e estará se opondo ao decreto de Deus, devendo ser a própria morte aniquilada. Um dia a morte terá que devolver os seus mortos e ela própria será jogada no lago de fogo, que é a segunda morte. A própria morte vai morrer.

E Deus limpará de seus olhos toda a lágrima; e não haverá mais morte, nem pranto, nem clamor, nem dor; porque já as primeiras coisas são passadas. Apocalipse 21:4