Todo chamado envolve renúncia

Jesus começou o seu ministério com trinta anos de idade, e o seu ministério durou cerca de três anos, ou seja, dez por cento da sua vida terrena, ou o dízimo do seu tempo. A bíblia não diz isso, mas em minha opinião, e penso que eu também tenho o Espírito Santo (como diria o apóstolo Paulo), dez por cento do nosso tempo pertence ao serviço do Senhor. Fazendo as contas, o nosso dízimo de tempo diário equivaleria a duas horas e quarenta minutos. Ainda nos sobrariam vinte e uma horas e vinte minutos, para nos dedicarmos às outras coisas. O motivo porque não conseguimos servir ao Senhor, dedicando-lhe um tempo de qualidade, é porque não estamos dispostos a renunciar, mas todo chamado envolve renúncia.

Por causa do ministério, Jesus teve que deixar para trás a sua casa, a sua mãe, os seus irmãos e a sua antiga profissão, a carpintaria, porque o seu ministério, a partir daquele momento, seria itinerante e em tempo integral. Se fosse um ministério local, de tempo parcial, ele poderia continuar com a sua família e a sua profissão, mas esse não era o seu chamado. Se ele fosse onipresente como homem, ele poderia viver em Nazaré e percorrer a Galiléia, ao mesmo tempo, mas a verdade é que, como homem, ele era limitado pelo tempo e espaço, como qualquer um de nós. Deste modo, ele teve que aprender uma das principais lições que um homem tem que aprender nesta vida. Como não dá pra fazer duas coisas ao mesmo tempo, temos que renunciar uma para fazer a outra; e Jesus teve que renunciar à família e à profissão, porque o seu ministério exigia.

Jesus saiu de casa sozinho, mas ao longo do caminho, ele chamou certas pessoas para segui-lo: os discípulos. Seguir a Jesus em seu ministério itinerante significava abandonar o conforto do lar, abrir mão da profissão e colocar o pé na estrada, juntamente com ele. Não deve ter sido uma decisão fácil para eles, porque alguns, como Pedro, eram casados, ou seja, tinham uma família para cuidar, mas o chamado de Jesus para eles era para um ministério itinerante e de tempo integral. Eles não teriam residência fixa, porque, como disse Jesus, as raposas têm suas tocas e as aves do céu têm seus ninhos, mas o Filho do homem não tem onde repousar a cabeça. Eles não teriam salário, porque segundo Jesus, não poderiam cobrar pelo serviço. De graça recebestes, de graça dai, disse Jesus. Somente mais tarde, juntaram-se a eles mulheres ricas, casadas com homens influentes (Lc 8.3), que ajudaram a sustentá-los. O sustento deles dependia da boa vontade das pessoas e, acima de tudo, da provisão divina.Quando o pão era insuficiente para alimentar a multidão, Deus multiplicava. Quando faltava dinheiro para pagar os impostos, até os peixes contribuíam.

Um certo homem, de quem Jesus havia expulsado muitos demônios, suplicou a Jesus que o deixasse ir com ele; mas Jesus o mandou embora, dizendo: Volte para casa e conte o quanto Deus lhe fez. Assim, o homem se foi e anunciou na cidade inteira o quanto Jesus tinha feito por ele. Nesta passagem aprendemos que nem todos fomos chamados para um ministério de tempo integral e itinerante, como os discípulos. Um ministério local exige uma renúncia menor do que um ministério itinerante. No caso daquele homem, por exemplo, o ministério dele era compatível com a profissão, e com ter uma casa. A renúncia é de acordo com o chamado. Não devemos abandonar a tudo, indiscriminadamente, mas devemos abandonar tudo o que nos impede de seguir a Jesus. E, principalmente, devemos abandonar tudo o que é incompatível com o nosso ministério. Os discípulos tiveram que abandonar a profissão, porque era incompatível com o ministério, mas o apóstolo Paulo não precisou abrir mão da sua, porque a sua profissão poderia ser exercida nas horas vagas, onde quer que ele fosse. Abandonar a profissão, portanto, não é uma regra. A regra é abandonar tudo o que nos impede de responder ao chamado de Jesus.

Nem todos temos que renunciar ás mesmas coisas, mas todos temos que renunciar a algo, se quisermos servir ao Senhor. Servir ao Senhor não é uma escolha, mas uma obrigação. Quando confessamos a Jesus como Senhor, nos colocamos na condição de seus servos, e para cada um de nós, seus servos, o nosso Senhor delegou uma função ou um ministério. Eu tenho o meu chamado, você tem o seu chamado, e só existe uma forma de responder a esse chamado: renunciando. Todo chamado envolve renúncia. Existem pessoas que conhecem muito bem o seu chamado, mas estão há muito tempo adiando a decisão de cumprir a sua obrigação, porque se recusam a renunciar o que devem renunciar. Responder ao chamado de Jesus, para o ministério, é uma decisão que envolve fé. Se você esperar as condições ideais, ou estabilidade financeira, você nunca dirá sim para Jesus. Se você não estiver disposto a renunciar o conforto, abrir mão de suas posses, você nunca dirá sim para Jesus.