Escrevi esse texto quando fui a São Paulo ano passado e nunca postei, até agora.

Nunca havia conhecido São Paulo. Precisei vir para a cidade para resolver meu visto. Chego no aeroporto de Guarulhos e pego um táxi. Converso sobre política, sobre carreira, estudos, vendas e sobre a vida. Um ótimo taxista. Primeiro pensamento: “afinal de contas, as pessoas de São Paulo não são o que dizem, puro preconceito”.

Chuva.

Preciso esperar que meu visto fique pronto, em média uma hora. Saio para fumar um cigarro.

Chuva.

Caminhando ao redor do prédio escuto à distância: “você tem preconceito?”. Não. Se aproxima uma travesti. Tinha acabado de ser espancada, queria ajuda. Vou à farmácia com ela, no caminho pergunto sobre sua vida. Pernambucana, veio tentar a sorte em São Paulo, não deu muito certo, é travesti.

Chuva.

Entramos na farmácia, dou o necessário e sigo meu caminho. Olhos me encaram com desdém.

Chuva.

Resolvo tomar um café e comer uma coxinha, afinal, saudades de coxinha. Sorrio para a moça que me atende. Frieza. Sorrio para a moça que me deu o café. Frieza. Tudo bem, ninguém é obrigado a ser simpático comigo por causa de um sorriso. Sento na cadeira, olho para as pessoas andando na Paulista. Frieza.

Chuva.

Me sinto tão mal que sinto um nó no estômago e escrevo esse desabafo. Lembro de Criolo.

Chuva.

Vejo uma livraria Cultura atrás de mim. Faço turismo na Cultura, folheio alguns livros, uns interessantes, outros nem tanto. Não presto atenção em mais nada. Sento, chamo um amigo que mora em São Paulo para tomar uma cerveja. Combinado. Olho ao meu redor e vejo diversos estudantes, nos seus 13 a 15 anos, rodando a livraria, maravilhados, conversam sobre livros interessantes, outros nem tanto. Me alegro com você São Paulo.

Passa a chuva.

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