Aproveitemos o caos para apontar o óbvio: A saída é, e só pode ser, pela educação!

Se a sensação nas ruas, nas empresas e universidades é de que estamos nos deparando com futuro incerto e cheio de grandes problemas, mas não dá pra negar que essa é também uma era de grandes oportunidades.

Isso porquê em tempos de vacas gordas os recursos abundantes acabam ajudando a empurrar problemas sérios com a barriga. Em tempos de vacas magras é que temos que nos deparar com verdades muitas vezes doloridas.

E a maior verdade dolorida do momento é que nosso sistema educacional está absolutamente falido e que não existe como resolver o nó da sociedade brasileira sem resolver esse gargalo que nos custa tanto todos os dias.

Temos uma oportunidade de ouro nas mãos… podemos aproveitar esse momento para mobilizar a sociedade de uma maneira impensável em tempos de dinheiro fácil para finalmente ter uma estrutura educacional de primeiro mundo, e com ela a tão prometida justiça social, segurança e prosperidade para todos.

A economia brasileira está encolhendo e, cada dia mais, perdendo a capacidade de prover para a maior parte de seus cidadãos por uma série de motivos (muitos deles políticos e ligados a manutenção de um status quo cruel e retrógrado de extrema concentração de renda). Mas o mais notório dele é a baixíssima qualidade de nossa mão de obra e de nossa praticamente ausente capacidade de inovação tecnológica.

Esses são efeitos colaterais diretos do sucateamento do sistema educacional promovido pelos governos municipais e federais, sucateamento que tem por objetivo manter a população presa a uma estrutura de dominação que agora já conta com quase meio século de história. A manutenção de uma gigantesca reserva de mercado composta de mão de obra de baixa qualificação associada a negação ao acesso ao capital cultural cria uma massa “não cidadãos”, brasileiros que não tem acesso a uma série de direitos e muitas vezes sequer sabem que tais direitos existem.

É ai que começa o paradoxo que pode levar a uma transição em nossa sociedade, o Lulo-petismo promoveu uma era de inclusão através do consumo que só pode ser mantida através de um contínuo processo de distribuição de renda, essa distribuição de renda era feita através das migalhas que caiam das mesas dos trilionários exportadores de commodities brasileiros durante a época de “vacas gordas”. Hoje isso acabou, e o Brasil mais uma vez se vê envolvido por uma crise financeira de proporções épicas.

Se de um lado, a elite não está mais disposta a dividir a renda proveniente da superexploração do solo brasileiro, de outro é pouco provável que as gerações que crescerem com algum poder de consumo se contentem em retornar para a miséria. A pergunta é como vão efetivar esse descontentamento.

A esperança é que seja de forma produtiva, e não através de violência urbana que, sendo objetivo, apenas acaba servindo de justificativa para um aumento proporcional da violência das já muito violentas polícias militares brasileiras.

Essa “válvula de escape produtiva”, para ser sustentável, deve passar necessariamente por uma revolução em nosso sistema educacional. É, mais do que nunca, imperativo que sejamos capazes de formar pessoas com habilidades que as permitam sobreviver no século XXI através da criação de riquezas intelectuais, abstratas. Isso exige uma formação ampla que só pode ser obtida com uma escola de alto nível a qual todos tenham acesso.

A saída da crise… é, e só pode ser, pela educação.

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