Socializar a miséria como estratégia de justiça! Eis o que propõem os donos do dinheiro!

A ultima moda dos jornais é atacar o ensino público superior gratuito. Interessante como, quando convém, a grande mídia aponta a injusta estrutura tributária brasileira, que penaliza os pobre e favorece os ricos. Mas o avanço para por ai, tais publicações ignoram os dados do PNAD, que mostram que as Unis públicas tem entre seus estudantes apenas 36% da parcela mais rica da população, ao passo que as privadas chegam a 40%. Em relação a quantidade de estudantes pobres, as públicas também são mais inclusivas, 7% de estudantes pertencentes a classe D e E contra 3,4% nas privas. A regra segue também quando comparamos a quantidade de negros em universidades públicas (43,8% e subindo!) contra a nas universidades privadas (41,6%)

Cinicamente a Globo e Folha propõe que, ao contrário da Alemanha por exemplo (que recentemente tornou todas universidades gratuitas), espalhar miséria ao reduzir o acesso à educação. A proposta de bolsas, bem sabemos, é um engodo, pois elas podem ser cortadas a qualquer hora e sob qualquer argumento. Negar novas bolsas sob o argumento de “crise” é muito mais fácil do que fechar uma universidade (estratégia que já está sendo aplicada contra os bolsistas do PROUNI e Fies).

Na lógica pervertida dos marqueteiros globais, termos algumas pessoas com acesso à educação superior é pior do que não termos nenhuma, e quando vemos que os números advogam a favor das universidades públicas (conseguem, com um orçamento pequeno, estarem sempre nas primeiras posições em rankings de qualidade) fica claro que a decisão de atacar o ensino superior de qualidade não é apenas objetivando reverter os avanços em termos de acesso da ultima década, mas principalmente atender aos interesses de megacorporações do ensino como Kroton e similares.

Isso também levanta a questão sobre a distribuição, ter onde morar e o que comer não é privilégio, é ter acesso ao mínimo. Apontar o acesso a direitos fundamentais como privilégios, enquanto se esconde os trilhões que são sonegados todos os anos e a pornográfica concentração de renda brasileira, essa sim geradora de verdadeiros privilégios, é uma tentativa descarada de aplicar arrochos ainda maiores sobre uma população que já vê seus direitos serem negados diariamente. Não se faz justiça social tirando-se direitos, faz-se tal coisa estendendo-os.

Vai ter luta.

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