Destrinchando a última pesquisa do Ibope

Uma leitura superficial da última pesquisa do Ibope é: Bolsonaro (PSL) oscilou negativamente, porém dentro da margem de erro, e segue com ampla vantagem contra Fernando Haddad (PT). Na pesquisa estimulada em “votos válidos” Bolsonaro tem 57 a 43 ante 59 X 41 da pesquisa anterior.

Mesmo com a redução da vantagem (eram 18 pontos e agora são 14), ela continua significativa e variou apenas dentro da margem de erro. Como faltam poucos dias para a eleição, o favoritismo segue ao lado do candidato do PSL.

Feita essa ressalva, vamos aos outros dados da pesquisa, que dão um sopro de ânimo para a candidatura do PT nessa reta final, mesmo que a relação distância X tempo não lhe seja favorável.

Primeiramente, os números divulgados acima e que estampam as manchetes dos principais jornais e portais de notícias referem-se a “votos válidos” na “pesquisa estimulada”. Pesquisa estimulada é quando os entrevistadores do Ibope apresentam aos entrevistados uma cartela com o nome dos candidatos. O que o Ibope chama de votos válidos é quando se descartam os votos brancos, nulos e os eleitores indecisos.

Embora essa forma de apresentação seja amplamente aceita, particularmente penso que há dois pontos que precisam ponderados:

1) No segundo turno, as pesquisas espontâneas (quando o entrevistador pergunta em quem o eleitor vai votar sem lhe dar opções) são mais precisas. Afinal são apenas dois candidatos, amplamente conhecidos, que já venceram no primeiro turno. Se o eleitor não responde de bate pronto em quem vai votar e apenas quando estimulado pela cartela de nomes indica um candidato, seu voto não é “totalmente convicto”.

2) Votos válidos para o TSE são os votos totais, excluídos brancos e nulos. O Ibope e outros institutos de pesquisas excluem também os “indecisos”. Não dá para assegurar com certeza que os indecisos não votarão em um dos dois candidatos. Isso pode trazer uma certa distorção.

Vamos abrir então a pesquisa espontânea.

No dia 15 do 10, 47% dos eleitores respondiam de “bate pronto”, que votariam em Bolsonaro. Esse número caiu para 42%. Haddad oscilou positivamente de 31% para 33%. Ou seja, a vantagem de Bolsonaro para Haddad que era de 16 pontos caiu para 9. Aparentemente, Bolsonaro vem perdendo votos, porém Haddad não ganha na mesma proporção.

O número de eleitores que declarava que votaria em branco ou anularia subiu de 12 para 15 e o número de eleitores indecisos oscilou de 8 para 9.

O Ibope fez também um outro questionamento aos eleitores, sobre a certeza do voto, potencial de votos e rejeição.

Em 15/10, 41% dos eleitores diziam que votariam com certeza em Bolsonaro. Agora são 37%. Ao mesmo tempo, a sua rejeição subiu de 35% para 41%. Além disso, 11% dos candidatos declaram que “poderiam votar em Bolsonaro”. Se somarmos, os 37% de eleitores que dizem que votariam nele com certeza com outros 11% que declaram que poderiam votar, chegamos a 48% de potencial de votos.

Em relação a Haddad, a certeza de votos aumentou de 28 para 31%, enquanto sua rejeição caiu de 47% para 41%. Além disso, 12% dos eleitores dizem que “poderiam votar nele”. Hoje, seu potencial de votos é, portanto, de 43%.

Amanhã, o Datafolha divulgará uma nova pesquisa e sábado o próprio Ibope divulgará um novo estudo, assim como outros institutos também vão divulgar pesquisas nos próximos dias. É preciso acompanhar se essas novas pesquisas indicam alguma tendência de queda de Bolsonaro e subida de Haddad ou se essas oscilações no Ibope foram apenas pontuais.