Pesquisa Datafolha (10/09/18) para presidente

Algumas observações sobre a última pesquisa Datafolha:

1) Bolsonaro cresceu de forma consistente na pesquisa espontânea (quando o eleitor pode dizer em quem vai votar sem ser apresentado a uma lista de candidatos). Esse voto é o mais cristalizado e sua ida ao segundo turno, provavelmente, em primeiro lugar, parece totalmente consolidada.

2) Mesmo na pesquisa estimulada (quando é apresentada ao eleitor a lista dos candidatos), ele também oscila positivamente, ainda que na margem de erro.

3) Lula perdeu intenção de votos na pesquisa espontânea, pois o eleitor vai percebendo o óbvio: ele não será candidato.

4) A rejeição de Bolsonaro também oscilou positivamente e nas simulações de segundo turno, fica atrás em todas. Seu melhor desempenho é justamente contra o candidato do PT, Fernando Haddad, um empate técnico, ainda assim numericamente atrás.

5) É difícil mensurar os efeitos do atentado em Juiz de Fora na pesquisa, mas há uma tendência de que os adversários poupem mais Bolsonaro de ataques, o que pode contribuir para a redução da sua rejeição. Além disso, em um eventual segundo turno, Bolsonaro terá tempo de TV igual ao do seu oponente para tentar melhorar sua imagem.

6) Hoje, o PT deve anunciar Haddad como substituto de Lula, o que vai “clarear” mais o cenário.

7) Sem Lula e com Bolsonaro consolidado na liderança, começará a briga pelo segundo lugar.

8) O cenário eleitoral está muito aberto e fragmentado e Ciro, Haddad, Marina e Alckmin têm chances de irem ao segundo turno contra Bolsonaro. Porém a pesquisa começa a indicar algumas tendências, que precisam ser observadas.

9) Marina Silva vem em trajetória de queda. Isso mostra que seu bom desempenho nas primeiras pesquisas eleitorais estava mais ligado ao fato de ser um nome conhecido, que disputou as duas últimas eleições. Além disso, o cenário de polarização esquerda X direita desfavorece a candidata que se coloca como “centro” e acaba nutrindo rejeição dos dois lados.

10) Geraldo Alckmin também demonstra uma grande dificuldade de tentar crescer. Bolsonaro, principalmente, e também Marina, e até mesmo Amoedo e Meirelles (esses, em menor grau) roubam-lhe os votos da direita.

11) Quanto a Haddad, caso não mostre uma reação rápida nos próximos dias, pode ser dragado pelo voto útil da “esquerda”. Nesse caso, o principal beneficiado poderá ser Ciro Gomes, do PDT.

12) Ciro, aliás, mesmo com pouco tempo de TV tem conseguido oscilar positivamente nas pesquisas. Também pesa a seu favor uma rejeição baixa e um bom desempenho na simulação de segundo turno contra Bolsonaro, em que venceria por 45% a 35%. Isso pode lhe ajudar mais na busca pelo “voto útil” contra o Bolsonaro.

PS.: Sei que no Brasil mais gente acredita em horóscopo do que em pesquisa eleitoral, exceto aquelas pesquisas que mostram o candidato preferido liderando com 100% das intenções de votos. De toda forma, vale como ressalva aqueles clichês de quem analisa pesquisa, “ela é só a fotografia do momento”, “pesquisa é diagnóstico, não prognóstico”, “até 7 de outubro, muita água pode rolar”. Além do óbvio fato de que minha análise pode estar totalmente equivocada. Se mesmo assim, você continua insatisfeito, relaxa: certamente aquela enquete que você votou na página que apoia seu candidato está mais correta.